Maria Correia
  •  

    Em 12/02/2016

     

    É Quaresma!

     



              Após a folia de Momo, vemo-nos no tempo da Quaresma – a quarentena que significa a preparação para a Semana Santa com a comemoração da Paixão de Cristo, Sua morte, ressurreição e ascensão aos céus, presença do Espírito Santo em tudo o que se refere à vida, à Festa Pascal.

              Vivamos bem o tempo da Quaresma, tempo de preparação, como já dizia o profeta. Tempo de oração, de penitência, de jejum, de renovação, de mudança de vida, de partilhar, de fraternidade universal.

               Lembre-se: “O mundo está começando agora, na tua mão. Tudo pode acontecer!

               Cuidado!, de tua palma, aberta sob as estrelas, o mundo está começando a se erguer: como se fosse um pássaro que se acorda, que acabou de se acordar, e vai sair para um voo – porque tem fome de céu. (Tomara que seja azul!)”.

               Este poema, de um autor desconhecido, em vez de parecer irônico, é um grito de alerta ao nosso comodismo, ao nosso instalar-se. A vida não é estática.

              Viver é sempre arriscar-se e não estacionar-se, esperando. “Esperando o que?” “Que o sol se ponha?” A Igreja Católica vivencia a Campanha da Fraternidade que traz como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”. E, como lema, “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.

              Acorde para a verdade de Deus. Desperte! Qual a sua verdade? Em que você acredita? É bom refletir! O tempo da Quaresma é propício a essa prática porque nos oferece instrumentos para tal.

              Vivamos a “filosofia do encontro” a que se refere Sua Santidade o Papa Francisco. A misericórdia. Jesus fala no evangelho “Quero a misericórdia, não o sacrifício”. Reflita! Vivemos uma casa comum: o Universo de Deus!  O que fazemos para viver melhor no Planeta Terra?

              Vivemos uma era massificada, eletronizante, de muita concorrência entre os povos. Isso não nos impede de viver e fazer que acontece a profecia do Amós (8,24). Estamos no colapso d’água. Tantas campanhas foram feitas chamando a atenção para esse fato. Lembro de uma passeata realizada já há alguns anos em que professores e alunos da escola normal referiam-se à falta de água com cartazes, advertindo a população: “Sabendo usar não vai faltar”. E agora?

               Nesse tempo de Quaresma, tempo de oração, de jejum, de penitencia, de arrependimento, de oração, “peçamos a Deus a graça de, através do Espírito Santo, que transforme nosso egoísmo em generosidade; que ajude-nos a fazer o bem neste mundo e cure o nosso pecado, transformando tudo em vida e alegria”, diz o padre Reginaldo Manzotti, na sua oração da Quaresma.

             Feliz Quaresma para você, caro leitor? Feliz Páscoa!

     

                Maria Correia é psicóloga e professora. Seu telefone 999290602.

  •  

    Em 28/01/2016

     

    A fábula da estrela verde

     



           Havia milhares de estrelas no céu. Estrelas de todas as cores: brancas, prateadas, verdes, douradas, vermelhas e azuis.

           Um dia, elas procuraram Deus e lhe disseram:

         - Senhor, gostaríamos de viver na Terra entre os homens.

          - Assim será feito, respondeu o Senhor. Conservarei todas vocês pequeninas como são vistas e podem descer para a Terra.

            Conta-se que, naquela noite, houve uma linda chuva de estrelas.

    Algumas se aninharam nas torres das igrejas, outras foram brincar de correr com os vaga-lumes nos campos; outras misturaram-se aos brinquedos das crianças e a Terra ficou maravilhosamente iluminada.

            Porém, passando o tempo, as estrelas resolveram abandonar os homens e voltar para o céu, deixando a Terra escura e triste.

         - Porque voltaram? Perguntou Deus, a medida que elas chegavam ao céu.

          - Senhor, não nos foi possível permanecer na Terra. Lá existe muita miséria e violência, muita maldade, muita injustiça...  E o Senhor lhes disse:

           - Claro! O lugar de vocês é aqui no céu. A Terra é o lugar do transitório, daquilo que passa, daquele que cai, daquele que erra, daquele que morre, nada é perfeito.

           O céu é lugar da perfeição, do imutável, do eterno, onde nada perece.

            Depois que chegaram todas as estrelas e conferindo o seu número, Deus falou de novo:

           - Mas está faltando uma estrela. Perdeu-se no caminho?

             Um anjo que estava perto retrucou: - Não Senhor, uma estrela resolveu ficar entre os homens.

             Ela descobriu que seu lugar é exatamente onde existe a imperfeição, onde há limite, onde as coisas não vão bem, onde há luta e dor.

           - Mas que estrela é essa? - Voltou Deus a perguntar.

           - É a Esperança, Senhor. A estrela verde. A única estrela dessa cor.

             E quando olharam para a Terra, a estrela não estava só. A Terra estava novamente iluminada porque havia uma estrela verde no coração de cada pessoa.

             Deus já conhece o futuro, e a Esperança é própria da pessoa humana, própria daquele que erra, daquele que não é perfeito, daquele que não sabe como será o futuro.

             Receba, neste momento, esta "estrelinha" em seu coração, sua estrela verde. Não deixe que ela fuja e nem se apague. Tenha certeza que ela iluminará o seu caminho... Seja sempre otimista!

                Observação: Esta estória me foi enviada por uma amiga que mora em João Pessoa.

     

                         Maria Correira é psicóloga e colaboradora da Folha.

  •  

    Em 02/11/2013

     

    Simplesmente, viva!

     



    Viver a vida e “vivê-la em abundância” é a exigência que Cristo nos faz através da Bíblia, do Evangelho e, conseqüentemente, essa é a nossa missão. Viver cada momento a seu tempo com todas as nuances, com firmeza de propósitos. Cada momento traz seus próprios problemas e desafios. Traz suas próprias perguntas. Mas como dizem os orientais: se você já tiver as respostas prontas não vai poder escutar as perguntas porque já está cheio derespostas e é preciso estar vazio, em sintonia, para escutar.
    Os nossos problemas, as dificuldades existem para serem olhadas de frente e enfrentarmos. Quanto mais fugir deles mais medo e insegurança você sentirá e ficarão maiores em proporções , terão força. E você se sentirá mais fraco para enfrentá-los. Nós nos julgamos, vivemos muitas vezes assustados, angustiados, ansiosos, com sentimento de culpa e, ainda por cima, queremos ser perfeitos.
    Você não tem que ser perfeito. Tem que ser total. A totalidade de pertencer à espécie humana, de você ser você mesmo com seus erros, aceitações e fracassos é uma experiência no aqui e agora. A pessoa total enfrenta com coragem o desconhecido apesar de todos os medos. Viva sem medo. Viva sem culpa.
    Viva o presente. Simplesmente viva.
    O coração é a fonte. Conta Osho que Vicent Van Gogh sempre pintava as árvores tão grandes que elas iam além das estrelas. As estrelas eram pequenas, o sol e a lua eram pequenos e as árvores eram imensas...
    Algum, então, lhe perguntou: “Você é maluco? Por que nunca pára de pintar árvores tão grandes? A estrela mais longínqua fica a milhões e milhões de anos-luz e as suas árvores sempre vão além das estrelas! Que maluquice é essa?”
    E Van Gogh riu e disse: “Eu sei! Mas sei de outra coisa também da qual você não se dá conta. As árvores são os anseios da terra para transceder as estrelas. Eu estou pintando os anseios, não as árvores. Estou mais preocupado com a fonte, não com o objetivo. É irrelevante se elas alcançam as estrelas ou não. Eu pertenço à terra, sou parte dela e compreendo o anseio da terra. Esse é o anseio da terra expresso através das árvores ir além das estrelas”.
    Olhe bem dentro do seu coração. Ouça a vida, a voz do agora pulsando dentro de você através das batidas do seu coração. Uma pessoa tem o direito e o dever de viver a vida como um presente e no momento presente.
    Quando passamos a viver de expectativas, o hoje não é seu momento. Está preocupado com o amanhã. O amanhã está além, no futuro. A minha responsabilidade é com o hoje, o agora. Preocupar-se é viver com antecipação e sofrer também. A preocupação como a imaginação é a “doida da casa” como bem disse o padre João Mohana. Ou você se preocupa ou vive. Que você tem medo ou vive. “Quem tem medo do amor, tem medo não tem amor”.
    Vivamos cada dia a seu tempo. Não forcemos a barra da mente. É preciso controlar os medos, as inquietudes, as insatisfações, as amarguras, as tristezas. Se está triste, vivendo o luto e a dor é preciso viver com coragem esse momento. Não se pode esquecer a dor sem passar através dela. Uma ferida que não é totalmente sentida nos aniquila por dentro. Não adianta enterrá-la nos remédios, nas drogas, no álcool. Somos uma espécie criativa e capaz de fazer qualquer coisa para nos anestesiar. Quando agimos desse modo, deixamos de sentir a vida, nos empobrecemos e fica mais difícil concentrarmo-nos com a sabedoria do organismo de que tanto necessitamos para viver.
    Viva a vida como ela é. Temos ganhos e perdas. Alegria e tristeza. Como a vida é feita de pequenos momentos, a felicidade é de pequenas coisas. Aposte na vida. Esse é o seu maior desafio. Não se preocupe com os outros, com o que dizem, com o que fazem. Simplesmente, viva! O momento no presente. Presente.
     

  •  

    Em 02/11/2012

     

    A dor da perda

     



    “Perdi a minha gota de orvalho! Dizia a flor ao sol do amanhecer que havia perdido todas as suas estrelas”.
    De fato, não é nada fácil conviver com as perdas. Seja pela falta de um amor amado, seja por n motivos, seja pela morte de alguém muito querido. Essas perdas podem contribuir para o crescimento e aprendizagem.
    Todos se queixam de perdas. Mas, muitas vezes, fazemos como a flor que se queixava de ter perdido a sua gota de orvalho, enquanto o sol do amanhecer sentiu e sofreu perda maior: as suas estrelas. A perda dói! Mas não para aí.
    É fato vivenciar o problema da perda, o luto. Por um devido tempo. Como diz na Bíblia: “Há tempo para tudo debaixo dos céus”. Quem se amarra ao luto fica “engessado” e cego para as grandes lições que a vida oferece.
    Não há nenhuma modificação sem um trabalho duro sem que você suje as mãos. Não há fórmulas a decorar para adaptar-se às novas circunstâncias. Quando você der o primeiro passo terá dado início ao processo do reverso da medalha. É preciso manter vivas as chamas da fé e da esperança.
    Não fique triste com suas perdas. São pérolas que surgem do fundo da ostra (o problema). E você não pode sentir tristeza e, sim, saudade. Mas não perca a coragem de enfrentá-las. Com coragem e perseverança você vencerá.
    Saudades, sim! Tristeza, não. Deus nos ama!
     

  •  

    Em 15/10/2012

     

    15 de outubro: Dia do Professor

     



    Aos professores da minha Escola e a todos professores que exercem essa poderosa missão.
    Quem escreve as páginas da história?
    Quem é o pedreiro, o construtor, o artista, o arquiteto desta obra que se ergue e depois vai não se sabe para onde?
    Quem vencerá a batalha final?
    Você, meu querido professor (a).
    Eu aprendo com você, mesmo quando a contragosto você silencia, ou fala, ou rebate ante a incompreensão dos pais. O descaso dos alunos, o irreconhecimento dos poderes constituintes.
    Eu aprendo com as suas reclamações, com as suas exigências, com a sua tomada de posição.
    Eu aprendo com o seu labutar seguro, eficiente, com a sua dedicação aos nossos alunos da periferia, esquecidos de todos menos de você, que os trata com uma atenção e carinho especiais.
    Eu aprendo com a sua tolerância, com a sua tristeza, com a sua prudência, com o seu sorriso, com a sua euforia.
    Eu aprendo com a solidariedade e compreensão que vem de você; mas aprendo também com as suas inconstâncias, com os seus desmandos.
    Eu aprendo com as suas falhas, eu me humanizo com as suas fraquezas, porque elas também são minhas.
    Eu aprendo com você, gente, pessoa.
    E no dia que nos é consagrado, eu, a grande aprendiz desta Escola, abraço-as (os) carinhosamente, e que Deus lhe abençoe e lhes pague por tanto bem que tem feito e poderão fazer a todos os que, indistintamente, passam em seu caminho de Mestre.
    João Pessoa, 15/10/1982 (Centro Pré-Escola Paula Francinete)
    ADENDO – Rabindranath Tagore
    “O perfume do botão exclamou: ‘o dia desvaneceu-se, ah, os dias felizes da primavera e eu sou prisioneiro das pétalas!’
    Não perca coragem, coisinha humilde! A aurora perfeita está próxima, em que tu unirás tua vida à Vida Eterna e em que tu conhecerás, enfim, o porquê de tua existência”.
    Parabéns, queridos professores, por seu dia de hoje e de sempre.

  •  

    Em 19/04/2012

     

    Páscoa – A Grande Festa da Libertação

     



    Estamos vivendo as alegrias da Grande Festa do Amor Maior, da entrega, da família, da doação essencial – a Páscoa -, que é, sobretudo, renovação de propósitos na vida, iniciados na mente, purificados no coração, pela oração e transformados em ação. Cristo , nosso Redentor, por sua morte e ressurreição, abriu o Céu ao homem decaído, reconciliando o Céu com a terra, o Criador com a criatura.
    Estamos conscientes dessa reconciliação? Somos todos chamados a participar da grande obra da Redenção. Repensemos o que estamos fazendo pelos outros, por nós mesmos, pelo relacionamento, o sentimento de pertença, a vida integrada uns com os outros. Todos os cidadãos por direito da Pátria – ipso facto – filhos de Deus amados e reconciliados em Cristo, cidadãos do infinito!
    Quando se está aprisionado, engessado, não há espaço suficiente para grandes lances de pensamento e ação. Cada momento é restringido por todos os lados, atrofiando os próprios órgãos, diminuindo a plenitude da graça e da vida. É o pai que pergunta: “o que fizestes com teu irmão?” Contigo?
    A Páscoa propõe libertação. O Amor fez descer a terra o Filho de Deus para viver entre nós e nos dar essa lição de Amor. Esta grande união que nos faz participar dos merecimentos infinitos do Redentor não se efetua sem o nosso consentimento. “Queres?” Ele respeita a liberdade individual. Precisamos de humildade, que é a medida dessa união.
    Unidos nossos pensamentos aos de Jesus Cristo, nossas afeições e obras às suas, divinizam-se. Pelo Amor se dá a união inefável que na última hora de sua vida na terra pediu ao eterno Pai operasse entre Ele e a criatura resgatada. “Pai Santo, conserva todos aqueles que me destes para que eles unidos com nós fazemos Um. Santificai-os na verdade, eu mesmo me santifico por eles para que eles sejam santificados na verdade”. (Jó 18,11,17-19).
    Estamos cooperando com o processo da Redenção? Em meio a tanta violência, a tanta coisa que torna o homem indignado, intrigado com essa cultura de morte, o que estamos fazendo? Participando, lutando ou engessados?
    É essa a minha mensagem de Páscoa para vocês, queridos leitores. Uma Páscoa vivida no amor, na paz, na compreensão, na cooperação mútua. Que ela represente e seja realmente a Grande Festa da Libertação Humana. Que se sintam reanimados em Cristo através da comunhão atuante com os outros. Que se sintam reanimados em Cristo numa renovação de propósitos para o bem e a verdade, pois só a verdade liberta e constrói uma vida e um mundo melhor para todos. Feliz Páscoa!

     

  •  

    Em 01/01/2012

     

    Tempo de mudança

     



    (Texto de 21 de dezembro de 2011)
    Estamos vivendo o tempo maior da Igreja, época do advento, preparação do Natal de Jesus Cristo, filho único de Deus, enviado ao mundo para salvar o mundo e as pessoas que nele habitam. Isaías, o Profeta da Esperança, declara: “preparai os caminhos, aplainai as veredas”. O que vemos é um mundo eletrizante, enlouquecido pelo luxo, sacudido pela violência, pela ganância, pelo consumismo que faz do Papai Noel e dos presentes a simbologia natalina.
    Eu sei que as cores suavizam, dão brilho ao exterior. E o interior, como fica? O caminho de que fala o profeta é o caminho do coração, do amor ao outro, do olhar o outro. Quantas vezes você fala com uma pessoa e não lembra de sua fisionomia?! Do seu olhar?!
    Precisamos fazer uma parada, repensar a nossa vida, a nossa vivência, preparar o nosso interior para viver com alegria e amor as benesses do Natal. Precisamos ser mais práticos, saber ver, saber olhar, saber sentir. Viver de fato o sentimento de pertença.
    No homem corpo/mente/espírito/consciência são indivisíveis e funcionam em uníssono, pois no momento em que tentamos viver em departamentos estanques um avisa aos outros e ao homem, gerador das dissociações ou discordâncias, sofre o peso da sua insensatez, através das somatizações.
    Não estamos neste mundo para corresponder às expectativas de pessoa alguma, nem viemos para um piquenique. Estamos neste mundo para viver a vida e “vivê-la em abundância”. Não somos donos de coisa alguma, muito menos da vida. Somos, apenas, administradores. Tudo o que temos, a própria vida, é presente. Nem nosso ser a nós pertence.
    Daí ser importante cuidar do corpo/mente/espírito/consciência. Cuidar. Zelar. Deixar fluir o positivo. E é convivendo com o outro que o ser humano se enriquece, experiencia vivências e escolhas. Conviver não é fácil. Conviver não é fácil. Mas é no relacionamento que construímos a nossa identidade, ou a reforçamos, a nossa individualidade. Através dos revezes da vida podemos fazer aberturas para o crescimento, a mudança, a consciência de ser e se relacionar por amor, fonte de saúde, com a fonte do ser essencial: Deus. Carlos Castañeda adverte: “caminhante não há caminhos. O caminho faz-se ao andar”.
    Que maravilha viver as benesses do Natal! O brilho das cores, a ternura do amor. Que maravilha! Isaías (9,5) exalta: “Porque nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado: sobre o seu ombro está o manto real e Ele se chama Conselheiro Maravilhoso, Deus Forte, Pai para Sempre, Príncipe da Paz”.
    Feliz Natal para você. Viva-o bem que a maneira e a beleza como ele for vivido se refletirão nos 365 dias do Ano Novo.
    Feliz e Santo Natal!

  •  

    Em 25/10/2011

     

    Considerações, apenas

     



    Vivemos uma cultura de vingança, de violência, de deslocamento e desconhecimento do valor humano da pessoa. Não há brechas para a solidariedade, não há espaço de respeito ao outro. Quando vamos abrir espaços para o fraterno em nós? Para o sentimento de pertença?
    É triste constatar que a educação e a saúde públicas são as mais necessárias e as mais prejudicadas ou praticamente esquecidas. Os recursos a elas destinados, uma parte vai pelo ralo, algo se aproveita e o mais se bota adiante. “Um deixa passar sem fazer”.
    Constato com tristeza como os homens se perderam nesse emaranhado de novidades, mecanicidades e acontecimentos. Os homens não se encontram mais. O ser humano esbarra um no outro, mas não se encontra. “Ser alguém é uma ilha”. O homem e a mulher só se encontram no tocar. Não falo aqui de pele, mas encontro com o coração. Jesus já falou no Evangelho que o que contamina o homem é o que vem de dentro e a boca fala do que o coração está cheio.
    Precisamos desatar os nós para que haja uma cultura de solidariedade, de amor e de respeito. O desemprego, por exemplo, é uma violência à dignidade do homem. O uso dos tóxicos é uma violência à dignidade humana e divina no homem – o mau uso da sua liberdade. Deus nos deu a liberdade de escolha. Se não sabemos escolher, o problema é nosso e precisamos arcar com as suas consequências.
    Não estamos no tempo do Código de Hamurabi, nem no tempo de filho de Caim. Leumec que dizia: “se você ferir meu dedo eu lhe arranco o pé etc”. Nós estamos em pleno século XXI, mas e a cultura? Dá pra pensar que a cultura tem resquícios seríssimos da Idade Média, com ela?!
    Se você parar para observar (não tem tempo?) vai perceber o quanto a violência tem prejudicado a nossa civilização – fez tenda, acampamento entre nós.
    Onde está o homem de hoje? Quem não ajuda, não atrapalhe, por favor. O preocupar-se ou o ocupar-se em ver erro nos outros, a perversa crítica não resolve nada. Todos nós temos nossas carências e limitações. Por que não aceitar os erros dos outros? Paciência! Deus não vai colocar o outro numa forma para ficar do seu agrado. Você é que deve aprender com a multiplicidade na unidade. Cada um é aquilo que é e pronto. Resta-nos conviver com as nossas limitações, carências e conflitos para aprender a conviver. Viver cada dia o seu fardo já é o bastante. Porém, quando se trata da coisa pública todos devem dar-se as mãos e lutar em benefício do todo.
    Sejamos livres, autênticos, humildes, responsáveis, sem procurar copiar o outro ou não fazer do outro o arremedo. No final das contas a emenda fica pior que o soneto.
    Que Deus nos dê a graça e a coragem necessárias, uma liberdade responsável onde o outro seja a medida.
    Observemos. Vivamos. “O deserto sempre esconde algo”, já dizia o Pequeno Príncipe. Viver responsável é a medida de todo ser humano.
     

  •  

    Em 11/08/2011

     

    O homem – um ser social

     



    Desde sempre aprendemos que o homem é um ser social, ou seja, em convivência consigo mesmo e com os outros. Essa definição e aspiração do ser humano o induzem à responsabilidade, à gratidão e ao “sentimento de pertença” que deve atingir todos os elos e nós da cadeia social.
    Entretanto, não é o que constatamos e sentimos em pleno século XXI. A parafernália eletrônica, a mídia tomou conta da vida, do cérebro e do coração das pessoas em sua maioria. O simples clicar, a política do “menor esforço” está afetando as relações sociais. Não sou contra o desenvolvimento, muito pelo contrário. Acredito que tudo que contribui para o aperfeiçoamento do homem é válido. O que não é válido é fazer da eletrônica um tudo, ficando paralisado no atendimento às exigências e solicitações de uma melhoria nessas relações. Como o relacionamento se dá com gente “de cara e dente e nariz pra frente” não pode e não deve ser mecanizado, imperando a lei do “topa tudo”, de que “qualquer coisa serve”, transformando o homem num autômato em vez de enriquecê-lo no convívio social.
    Ei! Quem disse que para você subir o outro tem que descer? Superar o outro, dar uma “rasteira”?! O mundo é grande, qualquer pessoa tem o seu espaço e o seu valor. O brilho do outro não ofusca sua luz. Ou será que a luz do outro faz mal a você? Incomoda você?!
    Tudo avançou a passos largos, mas a qualidade e a gratuidade das relações humanas em vez de ganharem, de tomarem impulso, perderam com o avanço tecnológico. O homem de hoje, observada a grande maioria, está longe do “sentimento de pertença”. No afã de ser mais, o homem está cada vez mais assoberbado, atropelando o outro em vez da convivência sadia e gratificante. Falta senso de humor, de respeito ao outro, de responsabilidade, e sobra individualidade mecanizada, egóica. Não se pensa em respeitar o espaço do outro, em um Deus providente, mas num “Deus de minhas necessidades”, aspirações e expectativas, à minha maneira, do meu jeito, do jeito que eu gosto e preciso. Mas Deus não cabe nesse esquema, nessa redolma. Não há uma participação igualitária, comunitária.
    O ser humano parece “ter esquecido” de como viver em sociedade; que o sentimento de alteridade precisa estar presente nas relações consigo mesmo, com o outro, com Deus. “Deixa o outro pra lá”, “ele que se arranje” é o que pensa e como age a grande maioria. Falta o cuidado, o zelo, a pertinácia, o treino. Se eu não tenho cuidado comigo, como está, então, o meu cuidado com o outro? Se eu não me amo, eu não consigo amar o outro; e se eu não amo, nem respeito o outro, como posso dizer que amo e respeito a Deus? Ora, se eu não amo a mim mesmo?! Que farsa!
    Quem não age dentro da esfera das relações sociais com cuidado, com zelo, com respeito, vendo a individualidade com responsabilidade, como será e o que significa para mim o outro dentro desse contexto? O “sentimento de pertença” é necessário na convivência social que exige responsabilidade, respeito e treino da nossa parte. Não somos máquina. Somos um milagre no mundo, dotados de bens que Deus nos concebeu. Por isso somos diferentes. Individuais. Únicos. Uma palavra de Deus que não mais se repete. Que beleza!Que grandeza na diversidade dos dons que se complementam sem se machucarem. É nossa responsabilidade fazer a diferença, fazendo desse mundo um lugar melhor, onde todos possam viver em paz. Por que tanta violência? Falta respeito, solidariedade. “Deus mandou que nos amássemos e não que nos amassemos”.
    Deixe fluir a vida em você. Seja parte do canteiro de obras de Deus. Estamos aqui para cumprir uma missão. Daí a necessidade de sentir que, embora devido às diferenças e, apesar delas, somos parte de um todo. O pertencer, o cuidar, o viver, o respeitar a individualidade no social nos torna ramos de uma mesma árvore. É preciso fazer como o beija-flor que, sem ligar as críticas do outro (o tamanduá bandeira), fazia a sua parte, carregando no bico a sua cota de água para ajudar a apagar o incêndio na floresta.
    Que isso fique com você. Pense! Ouse! A vida é o que fazemos dela. Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://ibahia.com/a/blogs/wp-content/blogs.dir/9/files/2009/06/foto-chapplin-tempos-modernos-junho-2009.

    Maria Correia Filha é psicóloga e professora.


     

  •  

    Em 26/06/2011

     

    Fazendo a diferença

     



    Hoje todos parecem ter pressa de chegar, às vezes, sem saber aonde vai. Vivemos num mundo automatizado e precisamos conviver sem nos automatizarmos. Nós não somos máquinas, que ao leve toque de um botão, trabalha. Somos seres humanos, seres pensantes, responsáveis por nós, por nossa vida e pelas escolhas que fazemos. O como vivemos, o para quem nos levantamos todos os dias deve fazer parte constante dos nossos pensamentos e questionamentos.
    Se você tem um objetivo lute por ele com todas as forças e empenho sem pressa para obtê-lo, sem preocupações e ansiedades que fazem barreira à realização e em nada ajudam. Não se autocritique por não conseguir chegar depressa. Pensar que o tempo urge e antecipar dificuldades. Todos nós temos. Passamos por problemas comuns a todos, mas não nos deixemos abater, afinal a batalha é vencida por etapas. Se você se antecipar antevendo preocupações estará criando entraves à luta. O bom guerreiro se conhece no campo da batalha e não fora dele. Não se autocriticar jamais. Não seja carrasco de si mesmo.
    Apesar do avanço técnico o homem não desenvolveu a humanização. O materialismo parece estar em todos e em tudo ao nosso redor. Somos seres que amamos. “Jesus nos mandou que nós nos amássemos e não que nos amassemos”. Precisamos estar conscientes da nossa responsabilidade como ser humano, ser social. Não estraguemos com o nosso descaso o dom da vida que nos foi dado por Deus, os talentos que recebemos não desperdicemos, jamais se compare com o outro. Ou o critique. Se você não é capaz de apreciar o talento do outro não é capaz de apreciar o seu próprio talento.
    Desse modo nos enriquecemos fazendo e admirando, compartilhando e frutificando o que de graça nos foi dado. Há tantos talentos a serem estimulados, colocados a serviço do outro. Não enterre os seus. Precisamos de paciência, ânimo, coragem. Como bem disse Castañeda: “Não há caminho. O caminho faz-se ao andar”. Fortaleçamo-nos a caminhada com o outro, com o apoio nas horas necessárias e não nos desanimemos. Apesar dessa loucura que está o mundo, façamos a nossa parte, vivendo no meio de toda essa parafernália com coragem e determinação. Se não é possível fazer estradas, façamos veredas, contanto que caminhemos, seja em atalhos rústicos, pedregosos ou atalhos onde o vento brinque com nossos cabelos e a brisa acaricie a nossa pele. Pense nessa imagem! Medite!
    Vivemos porque vivemos não é essa a resposta. Vivemos para criar, para deixar a nossa marca registrada. Que o mundo seja melhor porque vivemos nele. A pressa é contagiante e angustiante. O melhor é não estragarmos os nossos momentos com ela. Vivamos cada dia a seu tempo. Não é fácil. Precisamos esforço, determinação para não nos entregarmos, nem estragarmos o nosso viver. “Deixe o rio fluir. Ele corre sozinho”. Deixe o rio fluir, entre na canoa e curta o caminho. Existimos para amar, fazer a nossa parte, frutificar os nossos talentos e não para estragar toda essa beleza com o “faz de conta”.
    Procuremos ser nós mesmos. Por isso os talentos são distribuídos segundo as habilidades de cada um. São diversos, diferentes. Vivamos para fazer a diferença.
     

  •  

    Em 11/05/2011

     

    Páscoa! – A grande festa da libertação

     



    Estamos vivendo as alegrias da grande Festa do Amor maior, da entrega, da doação essencial - a Páscoa - que é, sobretudo, renovação de propósitos iniciados na mente, purificados no coração e transformados em ação. Cristo, nosso Redentor, por sua morte e ressurreição, abriu o céu ao homem decaído, reconciliando o céu com a terra, o Criador com a criatura.
    Estamos conscientes dessa reconciliação? Somos todos chamados a participar da Grande Obra da Redenção. Repensemos o que estamos fazendo conosco mesmos e com os outros, pelo relacionamento e integração uns com os outros. Somos todos cidadãos por direito da Pátria. Ipso facto! - Cidadãos do Infinito.
    Quando se está aprisionado não há espaço suficiente para grandes, nem pequenos, lances de pensamento e ação. Cada momento é restringido por todo lado, atrofiando os próprios órgãos, diminuindo a plenitude da vida. É o Pai que pergunta: “O que fizeste do teu irmão?”
    A Páscoa propõe libertação. O amor fez descer à terra o filho de Deus para viver e nos ensinar essa lição de amor. Esta grande união que nos faz participar dos merecimentos infinitos do Redentor e não se efetua senão com o nosso consentimento. Ele respeita a liberdade individual. Precisamos de humildade, que é a medida dessa união.
    Unindo nossos pensamentos aos de Jesus Cristo, nossas afeições e obras às suas, divinizam-se. Pelo amor se dá a união inefável que na sua entrega total à vontade do Pai, pedindo-lhe Jesus Cristo operasse o Pai Eterno entre Ele e a criatura resgatada: “Pai Santo, conservai todos aqueles que me destes para que eles sejam unidos como Nós fazemos Um. Santificai-os na verdade; eu mesmo me santifico por eles para que eles sejam santificados na verdade” (João, 18,11,17 – 19).
    Esta é a nossa mensagem de Páscoa para você, caro leitor. Uma Páscoa vivida no amor, na paz, na compreensão; que ela represente não, apenas, mas seja a grande festa da libertação para cada um em particular e conjuntamente. Que nos sintamos reanimados em Cristo numa renovação de propósitos para o bem e a verdade, pois só a verdade liberta e constrói uma vida e um mundo melhor para todos. Basta que cada um faça a sua parte.
     

  •  

    Em 02/04/2011

     

    Viver o agora

     



    É próprio da natureza humana, em sua incompletude, instigar o ser humano a procurar sempre a perfeição; tanto que há pessoas visivelmente preocupadas com o que será depois de hoje, não se ocupando do presente, onde se encontra o acontecer cotidiano, preocupando-se antecipadamente pelo amanhã, o que gera uma expectativa frustrante uma vez que o tempo não se dá esse luxo de namorado recente.
    A preocupação com o futuro é tão forte e persistente que Cristo já advertia: “Não vos preocupeis com o amanhã. Basta a cada dia a sua dificuldade” (Mt. 6,34).
    “Viver plenamente o momento presente é o pequeno segredo com o qual se constrói, tijolo a tijolo, a cidade de Deus em nós”, é o que diz Chiara Lubich. O que nos compete é abraçar o presente e nos livrar de pesos desnecessários e difíceis de carregar. Somos, apenas, administradores do dom da vida em nós, e, por cima, “maus administradores”.
    Há pessoas que estragam as alegrias do presente com as apreensões e expectativas com relação ao amanhã. É bom deixar o futuro amadurecendo até o tempo de vivê-lo. Hoje, agora é o único momento em que podemos canalizar as energias para viver de forma atuante e construtiva. Não apresse o rio. Ele corre sozinho”. Não apresse o rio. Entre na canoa e curta o caminho. Ademais “a pressa é inimiga da perfeição”, reza o ditado popular. Além da insensatez, há o sofrimento desnecessário e raramente se pensa no melhor. É sempre a preocupação com o que de pior pode acontecer.
    Essa ótica pessimista provoca estragos na personalidade, gerando insegurança, falta de ânimo, inibição e diminuição de forças e energia vãs, inúteis, bloqueando a ação e tornando-nos fracos, inoperantes, resistentes à mudança. A expectativa do fracasso pode gerar fracasso, enquanto a expectativa de vitória já é meio caminho andado para a vitória.
    Não estou falando do ocupar-se com o futuro. É mera insensatez também não preparar-se para o futuro. Falo em preocupação, em ocupação antecipada com o amanhã. Sei que não é fácil esse “grilo” na cabeça - dizer e fazer. Guimarães Rosa já falou que “viver é muito perigoso”. A cada momento empregar-se a coragem e disposição necessárias para a batalha. Juntando ações, reações, limitações, carências e suprindo-as ou conseguindo superá-las. Depende de nossa visão de vida. “Escolhe, pois, a vida”, em vez de preocupações que são ocupações desnecessárias e sem sentido.
    Precisamos aprender a trabalhar as nossas carências, falhas para não criarmos situações de estresse que geram doenças psicossomáticas. Além do mais o preocupar-se com o amanhã é perda de tempo, de energia. Não se preocupar com o amanhã faz parte do cuidado que devemos ter conosco mesmos. É sabedoria do organismo as escolhas que fazemos. Se somos o melhor amigo de nós mesmos convém escutarmos a sabedoria organísmica com fé, coragem e disposição para curtir ou não o presente. A escolha é nossa.
    Lembre-se: “Basta a cada dia o seu cuidado. É assim que se constrói a vida, momento a momento. Veremos como a própria dor dói menos se não nos anteciparmos, ou sobrecarregar-nos. Já dizia o sábio Castanêda: “Não há caminho; o caminho faz-se ao andar”. Depende também dos propósitos, objetivos, do sentido que demos à nossa vida, como respondeu o sábio hindu a uma criança sobre escolha: ”há o bem e o mal”. Qual o que floresce?, perguntou a criança. E o sábio: “Depende do que eu alimentar mais”.
    Alimentemos pensamentos bons, prazerosos, cuidadosos com relação à vida. “Basta a cada dia o seu fardo”. O agora é o único momento que nos é dado viver. 

    Maria Correia é professora e psicóloga.
     

  •  

    Em 10/02/2011

     

    Reflexões de Ano Novo

     



    Passado o tempo forte do Natal, ficamos a nos questionar sobre o relacionamento entre os homens uma vez que o Natal do Senhor tem a magia de nos tornar mais dóceis, mais amáveis, mais agraciados pelo Amor Maior. O simbolismo e a magia do amor nos comovem. Mas com o passar do tempo já pensamos em outras coisas, deixamos de sentir forte o sentimento de pertença e de amor que devemos e podemos sentir realmente pelo próximo.
    Deus enviou seu Filho por amor ao gênero humano; criou o homem por amor do seu sopro, diz o Gênesis. Entregou-nos à natureza, que é a nossa casa mãe, o nosso entorno para que dela cuidarmos. Pensemos no que fazemos à mãe natureza e aos seus filhos, nossos irmãos?! O maior mandamento é “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”. Será que amamos a Deus sobre todas as coisas? E o que fazemos a nossos irmãos e ao nosso entorno? Violentamos com palavras, com ideias, com atitudes, com hábitos, com ações. Primeiro vem as nossas carências, as nossas limitações, as nossas preocupações com o amanhã (que é incerto), a doentia complacência de nós mesmos e depois o sentimento de culpa com o que fazemos ao outro, sem nos deter no hoje. Se amássemos Deus em primeiro lugar sentiríamos a confiança no seu amor infinito e misericordioso. É o próprio Cristo que nos adverte: “não nos preocupeis com o amanhã. Basta a cada dia o seu fardo”... E acrescenta: “por mais que pretendas não poderás acrescentar um só calado a tua estatura”.
    Quanto a amarmos ao próximo como a nós mesmos, será que nos amamos? Deus mandou que nos amássemos e não que amassemos. Aceitamos o fluir das coisas no tempo ou nos angustiamos porque não é como queríamos que fosse e não podemos mudá-las?! Fazemos e temos tantas qualidades positivas e não nos lembramos, nem nos presenteamos por isso?! Se faço isso a mim mesmo como está a relação com o próximo mais próximo? Tentamos ser diferentes do que somos, exigimos demais de nós mesmos. Como conviver com essa inaceitação inoperosa e com o próximo? Pesa refletir sobre essas questões! O que estamos fazendo com o meio ambiente, conosco mesmos e com o próximo? Meditemos sobre o amor. No dizer de Exupèry “o deserto sempre esconde um poço em algum lugar”.
    É saudável que nos amemos, que amemos o todo do qual fazemos parte. “Homem sozinho é uma ilha”. Entremos em sintonia conosco mesmos, com o entorno, com a natureza, com o próximo. Estaremos então em sintonia com Deus, o Pai, O Filho, o Espírito Santo que é luz e abre a nossa mente e o nosso coração para compreendermos melhor o Amor. Diz Henri Drumond que o que será cobrado de nós no juízo final é “como amei?” O que nos será pedido contas, uma vez que apenas somos administradores da vida, é a nossa maneira de amar. Se você se ama, não se agride, não se violenta, não se destrói, não se diminui, não se lamenta, não se recrimina, respeita o meio ambiente e o entorno. Se você ama o próximo não vai falar mal dele, julgá-lo, condená-lo; não se faz isso com quem se ama... Deixar de amar significa dizer que Deus jamais inspirou seus pensamentos, suas ações, a vida que nunca chegou perto Dele, que nunca foi tocado por Ele. Se você pensa por você mesmo é como se Jesus jamais tivesse nascido, como se Jesus jamais tivesse vivido, jamais tivesse pregado a boa nova, jamais tivesse morrido, jamais tivesse ressuscitado.
    Não há necessidade de testemunhas entre nós e Deus, mas precisamos dar testemunho Dele. Seremos julgados pelos famintos, pobres, desnudos, desprotegidos, desabrigados, violentados, doentes, encarcerados. Do amor que podíamos ter dado, da mão que podíamos ter estendido, dos copos de água que poderiam ter sido dados e não o foram.
    Li, não lembro onde, uma mensagem que diz mais ou menos o seguinte: “Cada pessoa que sofre tem direito a um pedaço da vida e do coração de alguém que falhou”. Que não sejamos nós esse alguém.
    Somos todos responsáveis uns pelos outros. Diz um provérbio chinês: “cada um vorra a frente de sua casa e num instante a rua estará limpa”.
    Meditemos. Guardemos e comuniquemos aos outros essa magia da Festa do Natal do Senhor para que o Ano Novo se revista de fecundas realizações.

  •  

    Em 04/11/2010

     

    De que é feito a vida

     



    A vida é sempre uma sucessão de fatos e lembranças, acontecimentos que detemos e outros que fogem do nosso controle.
    Por isso é tão bom viver sem expectativas, com esperanças, com sonhos como obras primas de Deus, cumprindo a missão que compete a nós completar a sua obra.
    Não estamos aqui para um pik-nik, nem para fazer turismo. É tão importante a vida e a missão que na vida não há sentido, não há vida para ser vivida sem ela. E a vida não é um arremedo. A vida é um presente que Deus nos deu para fazer frutificá-lo, gerar frutos.
    Se a vida é um presente, imagine para o professor que teve tantos pupilos aos seus cuidados e ele precisa capinar com amor, com carinho, com dedicação, com otimismo, com cuidado mesmo se as condições forem adversas: campo árido, água insalubre, salários indignos. Como suportar tudo isso? E mais em se tratando de alunos da periferia?!
    Eu o compreendo, caro(a) colega porque passei por tudo isso e ainda mais uma aposentadoria indigna do trabalho e da missão que nos é confiada. Professor só rima com amor. Desamor jamais.
    Enquanto ensinamos, aprendemos. Nossos alunos, na maioria das vezes, são verdadeiras lições que temos de aprender. “É preciso amanhar esse chão de joelhos”. Humildade sem entrega.
    Gosto de todos os que passaram no meu caminho de mestre. Das lições. Das quedas, dos usufrutos. Quando cursava psicologia ainda ensinava. Era um verdadeiro aprendizado. Sofrer? É o prato de cada dia. Não podemos nos libertar desses entraves, dessas pedras que atrapalham o nosso caminhar e que, às vezes, nos ferem. Tudo é necessário. Mas nem tudo me convém. É preciso esperar o tempo para separar o joio do trigo.
    Neste mês de outubro, mês missionário, mês de Santa Terezinha, de São Francisco de Assis, mês de Nossa Senhora do Rosário é mês do professor, da criança, MÊS DA MISSÃO! MÊS MISSIONÁRIO com muitos protetores. Mestre, ajuda-me na missão que tu mesmo tiveste aqui na terra!
    Nos momentos difíceis se pode dê um sorriso, se fez algo diferente dê-se um presente, presenteie-se sempre. Faz bem aos olhos, à mente, à alma, ao coração. Aquieta o espírito.
    Neste dia me vem à lembrança os meus primeiros educadores: Tio Tonho que me ensinou as primeiras letras, mas eu corria da sala sempre que ele levantava a palmatória para alguém. Corria sempre e ia ficar com a minha tia Santina na cozinha. Até que ele recomendou a meu pai pra me tirar – eu atrapalhava; dona Mariquita Diniz, diretora da Escola Retiro, a 1ª que frequentei em Itaporanga, sendo minha professora dona Maroquinha Leite. Lia tudo, sem pontuação e ela pacientemente cuidou das “pupilas do Senhor Reitor”, como éramos chamados eu e meu irmão Paulo. Em seguida o Colégio Padre Diniz com a dedicação das irmãs Carmelitas, que não vou citar nomes para não esquecer alguns. Os meus professores de colégio, de universidade, a todos devo respeito, gratidão e carinho.
    Já como psicóloga fui convidada por Padre José Sinfrônio e professora Petronila, por indicação do professor-doutor e ex-aluno Audiberg Alves a trabalhar no Colégio Diocesano com a promessa da publicação do meu livro: A Difícil Travessia. Sou grata a toda a aquipe do Ginásio, Petronila e referenciais, sobretudo ao monsenhor José Sinfrônio que, com especial cuidado, tornou público o livro que eu escrevera sobre a minha experiência: câncer de mama.
    Todos que me conhecem e tantos que me fizeram bem, e tantas sementes que lancei, são motivos de agradecimento de louvor. Que Deus dê em dobro aos meus ex-alunos, aos professores que trabalharam comigo, aos meus diretores tudo o que fizeram por mim, façam também por aí. A mim vocês não devem nada, devem à humanidade. Façam por ela tudo o que eu fiz e foi presença na vida de vocês.
    Sem família, sem amigos, sem missão, sem companheirismo nos engessamos no caminho. Só a missão salva nossa vida de olhar para trás e empunhar o arado. Parabéns e gratidão a todos.

     

  •  

    Em 01/10/2010

     

    Qualidade de vida

     



    Woody Allen afirma que os seres humanos estão divididos entre mente e corpo: a mente abarca todas as aspirações mais nobres como a poesia, a música, a filosofia, mas é o corpo que curte. Eu acredito que o corpo e a mente constituem uma unidade, ligados por moléculas que transmitem suas mensagens. Amor, alegria e paz de espírito tem consequências fisiológicas, assim como a tristeza, a depressão, o desespero, a apatia . Vivemos e sentimos as consequências dessa comunicação, dessa conexão: mente/corpo.
    Atualmente os pesquisadores estão estudando as relações entre consciência, fatores psicossociais, cura comportamental e função imunológica. “Não temos condições de entender a doença se não entendermos a pessoa que a tem”. Para um médico atento uma doença pode ter a mesma função de um teste de Rorschach para um psicólogo; é uma experiência de auto expressão existencial do paciente uma vez que a doença não é arbitrária e não ataca.
    Os psicólogos provaram através de estudos e pesquisas que os sentimentos geram alterações químicas em nosso corpo. Que os efeitos corporais do amor podem ser medidos; o desenvolvimento ósseo de uma criança que não é amada sofre retardamento e ela pode chegar a morrer; uma criança que recebe carinho cresce mais depressa. Os efeitos da paz de espírito também são mensuráveis: está comprovado que as pessoas que costumam meditar, assim como as que registram experiências traumáticas em um diário em vez de reprimi-las, têm uma capacidade imunológica maior. Amor e paz de espírito protegem de fato, permitem-nos superar limites e problemas que a vida nos traz. Ensinam-nos a sobreviver... a viver o agora... a ter coragem para enfrentar as sobrecargas e a utilizar a dor e o sofrimento como fonte de aprendizado para um redirecionamento mais criativo eficaz.
    Você pode falar com os seus botões “Ah!, eu não fui criado num ambiente de amor!” Está na hora de superar essa herança de desamor, de perdoar e renascer. “Não adianta chorar o leite derramado”. É preciso perceber o que fazer com o que fizeram com você. Quando estamos dispostos a enfrentar nossa sombra e mudar, podemos, como diz Freud, “converter conflitos neuróticos em conflitos normais”.
    Nós somos a espécie mais complexa e intrigante da biosfera terrestre. Mas também somos a única espécie que pensa e tem consciência da vida. E a nossa inteligência, na maioria das vezes, em vez de nos ajudar a superar os problemas, traz desvantagens e sofrimentos onerosos pelo uso inadequado e que vai refletir no interior produzindo transtornos internos pelo pessimismo, apatia e negativismo.
    Fábio de Melo conta que um velho sábio disse ao seu aluno que, ao longo de sua vida, descobriu ter dentro de si dois cães – um bravo e violento, e o outro manso e muito dócil.
    Diante da pequena história o aluno resolveu perguntar: – E qual é o mais forte? O sábio respondeu: – O que eu alimentar.
    É assim com a vida e todo o seu arsenal. Como ele diz, os sofrimentos não precisam ser estados definitivos, mas pontes, locais de travessia que o conduzirão ao outro lado. As adversidades vão existir sempre, são como o fermento na massa, o sal na comida, o reflexo na sombra.
    A vida é uma busca constante no agora. Viva o momento presente. O que você não vive bem, reflete como doença ou transtorno no seu corpo e vice versa. É no hoje que se tomam as decisões e se formam os espíritos. Corpo e alma conectados. Viver o momento com seus limites, respeitando-os e vencendo-os, imprime qualidade à sua vida.

     

Aguarde um momento... Está carregando!
Desculpe, não foi encontrado nenhum resultado.
Informes & Opinião

Folha do Vale www.folhadovali.com.br
Av. Padre Lourenço, nº 392 - Itaporanga - Paraíba
©2010 - Todos os direitos reservados