Em 26/07/2017

 

A epopeia do século

 



           Há exatos sessenta e quatro anos – 26 de Julho de 1953 -, dia consagrado a Sant’Ana, ocorreu um fato histórico na América Latina. Permitam-me, pois, meus eventuais leitores, recapitular uma página do meu livro Navegando no Exílio, na qual abordo tão heroica efeméride. A Revolução Cubana – o mais importante movimento revolucionário do Continente Americano no século passado, sofreu e ainda sofre os embates, a violência de todos os tipos de arbitrariedades e prepotência do imperialismo ianque. O governo dos Estados Unidos da América do Norte, autoproclamando-se “Defensor do Mundo Livre”, tem sido sempre o principal baluarte da contrarrevolução em todo o mundo, principalmente na América Latina, até ontem considerada uma espécie de quintal da grande potência do Tio Sam.

            Em Janeiro de 1959 o governo imperialista dos Estados Unidos sofreu – ao lado dos seus súditos latino-americanos – um grandioso golpe com o triunfo da Revolução Cubana encabeçada por Fidel Castro Ruz, movimento rebelde e patriótico que derrubou e liquidou uma das tiranias mais violentas da história americana, a ditadura cruel do “generalíssimo” Fulgencio Baptista y Zaldívar. Enquanto Baptista e seus lacaios roubavam e assassinavam o povo cubano, a chamada grande imprensa norte-americana jamais se pronunciou contra o tirano, mas, ao triunfar a Revolução, após sangrenta luta que sacrificou vinte mil pessoas naquela heroica ilha do Mar Caribe, “almas piedosas da SIP – Sociedade Interamericana de Imprensa”, fazendo ecos de preocupados interesses burgueses no Continente, vomitaram pragas, mentiram, caluniaram, no contexto geral de uma campanha desonesta, porém bem dirigida, visando a derrocada do novo regime instaurado e comandado por Fidel Castro.

           A Ilha de Cuba é um pequeno país cuja extensão territorial é de 114.424 km2. Colonizada pela Espanha, essa Nação caribenha, que hoje conta com mais de dez milhões de habitantes, foi a última da região a se tornar independente da metrópole europeia, em 1898, e a primeira a se libertar das garras sangrentas do imperialismo norte-americano, sessenta anos depois. Carlos Manoel de Céspedes, Pai da Pátria Cubana, poderoso proprietário de terras na região central da Ilha, libertou seus próprios escravos e os convocou à luta contra a metrópole colonizadora. José Martí, um dos maiores filósofos da nossa América, jornalista, escritor, poeta e consagrado orador, também tombaria, ainda muito jovem, no campo de batalha, na defesa da Pátria Cubana.

           Muitos anos depois surge no cenário nacional cubano a figura de Fidel Castro Ruz, brilhante estudante de Direito, brilhante advogado, filho de uma abastada família oriunda da Galícia e radicada na região oriental da Ilha. Formado no seio do Partido Ortodoxo, então dirigido por Eduardo Chibás, organização política que reunia centenas de jovens universitários, profissionais liberais, operários e camponeses. Com base em suas próprias experiências juvenis, alicerçado nos princípios da dignidade, abnegado, corajoso, visionário e consequente com uma causa realmente justa, Fidel Castro Ruz enfrenta, após conspirar e a preparar uma ação armada, o bastião da ditadura batistiana, precisamente o forte Quartel Moncada em Santiago de Cuba.

          A Revolução apenas começava. Dura e sangrenta foi a luta, imensas foram as traições, perseguições infindas aos combatentes vencidos naquela epopeia que só findaria com o triunfo revolucionário da Sierra Maestra a 1° de Janeiro de 1959, na companhia do guerrilheiro heroico Ernesto Che Guevara, cujas ossadas, após trinta anos, seriam resgatadas nas selvas bolivianas onde fora assassinado após ferido em combate em 8 de outubro de 1967 quando combatia com titânica bravura a tirania do general Renê Barrientos. Mas isto já é outro capítulo da recente história americana, sobre a qual comentarei noutra oportunidade. Hasta La Victoria Siempre.

 

                                                      Paulo Conserva é jornalista e escritor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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