Em 07/03/2018

 

Cidades do Vale entre as piores do país em saneamento: vejam as consequências disso

 



           Por Isaías Teixeira/Folha do Vale - Vários estudos divulgados por entidades ambientais e pelo próprio Ministério da Saúde revelam que a maior parte das doenças que afeta a população é decorrente da falta de saneamento básico nas cidades, uma realidade do Vale que deveria envergonhar prefeitos, vereadores e a própria sociedade civil. O problema também prejudica o meio ambiente, com a poluição de riachos e rios, a exemplo do Piancó, e outros vetores do desenvolvimento socioeconômico da região, como educação e trabalho.

           Com base no censo de 2010, as cidades do Vale têm os piores índices do estado e do país no que diz respeito, especificamente, à cobertura domiciliar por esgotamento sanitário adequado. A pior situação é de São José de Caiana, onde, conforme os dados, 99,3% dos domicílios não possuem canalização e destinação adequada de esgoto. Realidade semelhante em Ibiara e Santa Inês, ambos com 95,3% das casas sem esgotamento adequado; Santana de Mangueira, com 94,9%; Boa Ventura, com 90,5%; e Santana dos Garrotes, com 87%, são, igualmente, cidades de grave deficiência sanitária. Em sete anos do último levantamento do IBGE, a constatação é que pouca coisa mudou.

           Em Itaporanga, o mais populoso município regional e onde se concentram os principais órgãos públicos e privados do Vale, o percentual de residências descobertas é de 34,8%, o segundo menos ruim do Vale, mas, com o crescimento urbano nos últimos anos e praticamente nenhum investimento na área, é provável que o problema tenha crescido. E quem mais sofre com a omissão pública dentro desses números são os bairros periféricos da cidade, onde esgotos correm a céu aberto há anos. No entanto, nem a principal avenida da cidade, a Getúlio Vargas, está livre do problema: abaixo de um prédio onde funciona o Banco do Brasil e a Câmara de Vereadores, existe uma galeria que, quando entope, cobre a artéria de dejetos e fedentina.  A cidade também possui o maior esgoto a céu aberto da região, o canal Xique-Xique (foto), que afeta centenas de moradores.

          A melhor cobertura sanitária da região, ou a menos ruim, pertence a Pedra Branca, que detém 33,8% de deficiência no quesito do saneamento básico. No entanto, a realidade das outras três maiores cidades regionais é extremamente preocupante: Conceição (77,3% de domicílios descobertos); Coremas (48,7%) e Piancó (52,1%).

           Segundos os especialistas, se houvesse uma prioridade das gestões direcionadas para o saneamento básico, a procura por atendimento nas unidades básicas de saúde e nos hospitais diminuiria substancialmente, uma vez que acesso à água e esgoto tratados significam mais saúde e melhor qualidade de vida para o município. O que significaria, também, mais economia aos cofres públicos nos gastos com, sobretudo, a saúde básica.

            Outros ganhos - Outros ganhos importantes seriam manifestados no desempenho escolar de crianças e adolescentes; na diminuição da mortalidade infantil; na valorização imobiliária das cidades; e na produtividade do trabalho e renda. Por estas razões, as Prefeituras do Vale deveriam, urgentemente, dirigir todas as suas forças e ter como prioridade de gestão investimento em saneamento básico, que não é apenas coleta de esgoto, mas também acesso à rede de água e a tratamento de lixo e esgoto, entre outros.

             Nos últimos anos, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) fez convênios com Prefeituras e estado para obras sanitárias, mas muito desse dinheiro perdeu-se pelo ralo das irregularidades.  Em Coremas, por exemplo,  a cidade com a maior reserva hídrica do estado, o projeto de saneamento básico custeado pela Funasa e executado pelo estado foi abandonado por problemas técnicos na obra.

 

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