Em 01/10/2016

 

DECLARAÇÃO DE VOTO

 



              Curtindo uma espécie de “retiro espiritual” aqui em João Pessoa, além de visitar bibliotecas e livrarias, o majestoso Sebo Cultural inclusive, sob a guarida do nosso incansável Heriberto Coelho de Almeida, que atualmente organiza uma equipe de especialistas com vistas a empreender uma longa caminhada cultural por todo o interior do Estado, a começar, talvez, por Campina Grande – que não se aborreçam os vaidosos campinenses por interiorizar a tão badalada Rainha da Borborema – atravessando o Vale do Piancó, região abençoada pelo saudoso e carismático Padim Padi Ciço Romão Batista, na qual se insere minha querida Itaporanga - Pedra Bonita em tupi-guarani, fiquei matutando outro dia sobre o pleito eleitoral que já bate às nossas portas, bem como às portas dos habitantes de mais de cinco mil e quinhentos municípios brasileiros alertando para a importância de prefeitos e vereadores- executivos e legisladores que, se não salvarão a Pátria em dificuldades, ao menos manterão as aparências de uma Democracia civilizada.
             Sobre a visita do Sebo Cultural ao Sertão me alongarei n’outra oportunidade, com mais detalhes, já que o foco desta minha apressada crônica gira em torno do pleito eleitoral de 02 de outubro.
              Quantas saudades minha geração setentona sente hoje das eleições tradicionalmente “festejadas” no dia 03 de outubro que não mais ocorrem como anteriormente. Resgato nos retalhos ainda bem vivos da minha memória a eleição presidencial de 1955 quando nossa venerada e hoje saudosa Dona Branca, um papel na mão, dando voltas nas amplas instalações do perfumado Novo Armazém  do patriarca Zé Conserva sem saber em que votaria, duvidava. Peguei-a pelo braço, arrastando-a ao fundo da loja e lhe sugeri votar em J.K.
            - Esse candidato é bom? – Perguntou-me cheia de confiança.
- È o melhor entre todos, minha mãe – respondi-lhe entusiasmado, pois, por aqueles dias, acompanhei pelo velho rádio Philips paterno um comício do PSD – Partido Social Democrático em Fortaleza, quando o líder politico mineiro apregoara a meta de avançar cinquenta anos em cinco, refletindo o sonho maior de Brasília.
               E Dona Branca sorriu de contente. Minutos depois, sem precisar mais de ninguém, atravessou a rua e se dirigiu ao Mercado Público à procura das urnas eleitorais.
              De lá para cá muita coisa mudou: em março de 64 houve o golpe militar contra o presidente Goulart; em 1979 aconteceu a Anistia promulgada pelo general Figueiredo; a batalha cívica pela reabertura, eleições gerais, amplas e as diretas já...
             Atualmente, diante do queixume generalizado contra os políticos, pois, segundo a Vox Populi, “todos calçam 40”, ainda nos resta tempo para repensar nosso voto, pois neste momento estarrecedor de corrupção generalizada, ainda podemos vislumbrar raríssimas exceções.  Sugiro que não anule seu precioso voto cidadão. Cumpra o seu dever cívico, embora a contragosto, já que o “Império da Lei” impõe-nos o chamado voto obrigatório.
              Disputam as eleições de 02 de Outubro de nossa terra três candidatos. Atenho-me ao colega jornalista Sousa Neto que, inclusive, disputou votos para a Assembleia do Estado, obtendo uma apreciável votação, já que nunca o fizera antes. De suas 50 propostas para romper com 25 anos de atraso, tomei conhecimento no boleto VOTE 50 - A VERDADEIRA MUDANÇA – onde o candidato Sousa Neto aborda Educação, Cultura e Esporte, bem como Saúde e Inclusão Social, Saneamento, Mobilidade e Urbanismo, Água e Meio Ambiente, fazendo-me recordar do saudoso pombalense Celso Furtado no governo Goulart, também de saudosa memória.
            Reconheçamos que a batalha pelo voto cidadão é realmente pesada. A formiga contra o leão é o que simbolizam o colega jornalista Sousa Neto e o pequeno comerciante Airton Viriato. Por isto mesmo vale à pena à refrega política que se aproxima ousar sempre... desistir... nunca.

                                                                             Paulo Conserva – escritor e jornalista

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