Em 08/04/2018

 

Entre paixão e razão; entre mito e realidade

 



           Quando um homem se transforma em mito tudo em seu entorno se torna irrelevante, inclusive seu próprio discurso. Ninguém deve avaliar Lula pela sua fala, que é, em grande parte, deslocada da realidade, embora tenha sido essa retórica que, ao longo de 50 anos e casada a muitos fatos, o fez transmudar à condição de um quase santo para alguns milhões.

            Avaliem Lula pela sua grande biografia, incluindo aí as virtudes e contradições de sua passagem pelo poder, como quase todos os governantes, não por sua fala recheada de egoísmo político, porque em seu discurso ele busca uma promoção além da própria estatura humana e, por vezes, delira: ninguém presta, só eu presto; ninguém fala a verdade, só eu falo a verdade; todos têm pecado, só eu não tenho pecado; não ataco ninguém, mas todos me perseguem; ninguém contribuiu para o Brasil, só meu governo foi tudo; eu sou sempre vítima, e eles sempre algozes; tenho que estar acima de todos, porque todos estão abaixo de mim.

            Em uma sociedade menos passional e mais racional, a fala de Lula seria um atentado à sua própria reputação, mas não é o caso do Brasil, onde as paixões são o que desperta os exageros em seu favor e contra ele, fortalecendo ainda mais o mito. Por isso, crítica, condenação, prisão, acusação só fazem crescê-lo. Portanto, se você ataca Lula estará contribuindo para sua promoção mais do que aquele que o elogia. Sim, nada o afeta, nada o atinge a não ser para eternizá-lo ainda mais: “Já não sou um homem, sou uma ideia”, autoproclama-se o ex-presidente. A política e religião costumam revelar esses tipos porque são abastecidas por paixões.

            Os homens racionais e sensatos, mesmo sendo importantes para uma sociedade, não se tornam populistas e, ao contrário, suas ações são mais notadas do que eles próprios. Em um país sério e equilibrado, as instituições estão acima dos homens e dos mitos, mas, no Brasil, o poder é personificado, ou seja, tudo ocorre em torno de um líder carismático e populesco. Neste tipo de situação social, como é comum nas sociedades mais pobres e de baixo nível educacional,  os personalismos são os protagonistas e se sobrepõem às instituições, que não avançam nem se qualificam porque estão sequestradas pelos interesses populistas e escusos de quem governa e quer continuar governando.

             O problema é que os homens passam, mas as instituições são eternas e fundamentais para o desenvolvimento de um país. Por isso, uma sociedade racional precisa se preocupar com suas instituições para que avancem e melhorem, e não transformar homens em semideuses, porque quase nunca é da verdade que nascem os mitos.

 

 

 

           

 

 

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