Em 26/11/2016

 

Fidel: uma despedida para a história

 



           Como já sabemos, faleceu em Havana nas últimas horas o Comandante Fidel Castro Ruz, o maior líder politico- revolucionário das Américas, de todos os tempos, não apenas da nossa geração.

            Herói da Sierra Maestra, começou ainda muito cêdo e muito jovem (26 anos de idade) a sua luta contra a tirania do Fulgêncio Baptista y Zaldívar, um ditador dos mais truculentos oriundo de golpe militar unido por três conspiradores entre os quais se incluía o 3º Sargento Batista auto-promovido a General do Exército da combatida Ilha do Caribe.

           Herói de muitas batalhas, FIDEL CASTRO enfrentou a ira demoníaca de grande capital encabeçado pelo imperialismo norte-americano desde o primeiro momento do triunfo revolucionário, mancomunado com súditos latino-americanos, de encomenda, lacaios do grande capital forâneco internacional.

           Muito teria a acrescentar neste momento amargo da América Latina e, em particular do povo cubano que chora a triste perda de seu grande líder, a exemplo de José Martí, Pai da Pátria Cubana e outros tantos mártires da redenção nacional, como os IRMÃOS MACEO, CAMILO CIENFUEBOS, ABEL E HAYDÉE SANTAMARIA, Boris Luis Santa Coloma, Juan Almeida Bosque e inúmeros outros patriotas imolados nos campos e nas cidades acompanhando o grande líder revolucionário auja morte lamentamos agora.

          Muito, repito, teria a acrescentar a este comentário fúnebre mas, por agora, relembremos juntos a MENSAGEM DO COMANDANTE ERNESTO CHÊ GUEVARA AO DESPEDIR-SEDE FIDEL CASTRO QUANDO FOI COMBATER NOUTRAS TERRAS EM DEFESA DO SOCIALISMO. Vejam a seguir:

            HAVANA, 1º DE ABRIL DE 1965.

               Fidel; lembro-me nesta hora de muitas coisas. De quando te conheci na casa de Maria Antônia; de quando você me propôs ir juntos; de toda a tensão dos preparativos. Um dia alguém passou perguntando quem deveria ser avisado em caso de morte e a possibilidade real do fato golpeou-nos a todos. Depois soubemos que era verdade, que numa revolução se rende  ou se morre. Se ela for verdadeira. Muitos companheiros ficaram ao longo do caminho para a vitória. Hoje tudo tem um tom menos dramático porque já amadurecemos, mas o fato é o mesmo. Sinto que cumpri a parte do meu dever que me ligava á Revolução Cubana em seu território e me despeço de ti. Dos companheiros, do teu povo que já é meu. Demito-me formalmente de seus postos de Direção do Partido; do meu cargo de Ministro de minha patente de Comandante, de minha condição de cubano. “NADA LEGAL ME LIGA A CUBA, APENAS LAÇOS DE OUTRO TIPO, QUE NÃO SE PODEM ROMPER COMO AS ATRIBUIÇÕES”.

              Fazendo um rápido balanço de minha vida passada, creio haver trabalhando com suficiente honestidade e dedicação para consolidar a vitória revolucionária.  Minha única falta de certa gravidade foi não haver confiado mais em ti desde os primeiros momentos da SIERRA MAESTRA, e não haver entendido com rapidez suficiente  tuas qualidades de Líder e Revolucionário. Vivi dias maravilhosos e senti ao seu lado o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias  luminosos e tristes da CRISE DO CARIBE (1). Poucas vezes brilhou mais alto um Estadista naqueles dias. Orgulho-me também de haver seguido teus passos, sem vacilação, identificado com a tua maneira de pensar e de ver, e de apreciar os perigos e os princípios. Outras terras do mundo reclamam o concurso de meus modestos esforços. Eu passo fazer aquilo que te é negado pela tua responsabilidade à frente de CUBA e chegou a hora de separar-nos. Saiba-se que faço isso com um misto de alegria e dor. Deixo aqui o mais puro das minhas esperanças de construtor e os mais amados dentre meus antes queridos; e deixo um povo que me admitiu como um filho; isso dilacera uma parte do meu espirito. Nos novos campos de batalha, carregarei a fé que me inculcaste, o espirito revolucionário do meu povo, a sessentão de cumprir o mais sagrado dos meus deveres. LUTAR CONTRA O IMPERIALISMO ONDE QUER QUE ELE ESTEJA; isso RECONFORTA E CURA SOBEJAMENTE QUALQUER FEIDA.

            Digo mais uma vez que libero Cuba de qualquer responsabilidade, salvo  a que emanar do seu exemplo. Se me chegar à hora definitiva sob outros céus, meus último pensamento será para este povo e especialmente para ti. Agradeço aquilo que me ensinaste e teu exemplo, ao qual tentarei ser fiel até as últimas consequências dos meus atos.

           Digo ainda que sempre me identifiquei com Política Externa da Revolução e que assim permaneço. Que no lugar que eu estiver sentirei a responsabilidade de ser revolucionário Cubano e agirei como tal. Que não deixo aos meus filhos e minha mulher, nada de material, e isto não me aflige; alegra-me que assim seja. Que não peço nada para eles, pois o Estado dará o suficiente para viver e educar-se. Teria muitas coisas a dizer-te, a ti e ao nosso povo, mas sinto que são desnecessárias; as palavras não podem exprimir o que eu sinto, e não vale a pena sujar mais papel. ATÉ VITÓRIA, SEMPRE. PÁTRIA OU MORTE. Abraça-te com todo o fervor revolucionário. Ché.

          Esta carta foi lida por FIDEL na Praça da Revolução de Havana, por ocasião da apresentação do COMITÊ Central do Partido Comunista Cubano, no dia 03 de Agosto de 1965. Naquela ocasião, a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos da América do Norte) espalha ao mundo inteiro ter sido o herói guerrilheiro assassinado pelo Comandante Fidel Castro.

          Face às novas ameaças do Império Ianque ao povo do Iraque, torna-se muito atual este documento histórico, precisamente aos 35 anos do seu assassinato na Bolívia (28/10/1967), pelos agentes da CIA  e os esbirros do ditador Renné Barrientos.

         Observação: A crise do Caribe- Em Outubro de 1962, os ianques  ameaçam com nova invasão a Cuba QUE INSTALARA MISSEIS NUCLEARES NA Ilha para sua própria defesa, com apoio da União Soviética.

             Itaporanga, Parahyba do Norte, Novembro de 2016.

                                                                                         Paulo Conserva

 

 

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