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    Em 18/06/2017

     

    Açougueiros da República e os filhos de Lula e Temer

     



                   Sempre se comentou que o dono da Friboi era um filho de Lula, e não é uma conversa para boi dormir. Embora essa história não seja literal e biologicamente verdadeira, hoje se sabe que não era e não é de todo sem sentido. O que Luiz Inácio, quando presidente, fez pelos irmãos Batistas é coisa mesmo de pai.

                    Por meios ilícitos ou, no mínimo, questionáveis moralmente, Lula escancarou os cofres dos bancos públicos e fundos de pensão de servidores estatais para os negócios de Joesley e Wesley. O mimo foi algo em torno de 11 bilhões de reais, sem contar as isenções fiscais e outras ajudas extras, tudo coisa errada, mas com alvo certo. Com tanto apoio e dinheiro governamentais, os irmãos cresceram tanto que transbordaram o curral brasileiro e ganharam o mundo em produção cárnea e em outros empreendimentos por vias igualmente malcheirosas.

                    Agora se sabe que o sentimento que irrigou esses negócios não foi propriamente paternal, uma vez que a relação paterno-filial é algo que ocorre desinteressadamente, inclusive no plano do concreto e do objetivo.  O que houve, de fato, nessa relação entre açougue e República foi um grande esquema espúrio e criminoso, alimentado pelo “toma lá, dá cá” e pelo “é dando que se recebe”. Em delação e declarações recentes, Joesley diz que o pagamento de propina começou com Lula, mas não foi o PT o único beneficiado.

                    Os empréstimos, isenção de impostos e Medidas Provisórias que privilegiavam os Batistas retornavam para o PT, PMDB e os demais partidos que sustentavam politicamente o governo fora e dentro do Congresso em forma de propinas gordas e salgadas, bilhões sujos lavados em aquisições imobiliárias e parte investida em campanhas eleitorais, como foi na de 2014, comprada com dinheiro podre e limpo, mas tida como legítima pelo TSE para manter Temer no poder.

                    Esse tipo de relação com cheiro de “Carne Podre” foi o mesmo empreendido pelas demais empresas que tinham negócios com o governo, a exemplo da Odebrecht, e cuja sujeira começava logo nos processos licitatórios, todos fraudulentos para garantir a vitória das firmas que superfaturaram obras públicas para gerar suborno e com a propina ganhar novos espaços e privilégios com as bênçãos de deputados e senadores, gerando um círculo vicioso e rentável à custa do abate dos interesses do povo.

                     Mas o esquema dos irmãos Batista foi muito mais abrangente e quase dois mil políticos botaram a boca no bife da propina, inclusive figuras da oposição. Com a intenção de esconder os negócios escandalosos com o governo e evitar denúncias, os manos também compraram líderes da oposição: Aécio Neves e outros figurões do PSDB experimentaram do mocotó. Além de botarem um osso na boca opositora, o terreno já deveria estar preparado para, no caso de uma vitória presidencial do mineiro, o esquema seguir em pasto fértil e manter os bois gordos e os ratos também.

                    Com a saída de Lula, os irmãos perderam um pai, mas ganharam uma mãe. Com Dilma, os privilégios e ilegalidades em favor de suas empresas continuaram. Com a derrota política e econômica do governo Rousseff, o mesmo esquema que financiou sua eleição e reeleição também custeou seu impeachment, comprando votos de deputados e senadores, exatamente porque, com o PMDB no comando, através do vice Temer, os tempos mais áureos da sujeira, inaugurados na era lulista, poderiam voltar, e voltaram, mas o tropeço nos próprios pés arruinou o filé inteiro. A pimenta da Lava-Jato botou gosto ruim no pirão peemedebista.

                    Não há dúvidas de que, com Temer, os Batistas ganharam um pai igualmente atencioso, mas guloso também: o livre acesso de Joesley à casa do presidente e os 500 mil na mala do seu assessor-deputado provam a mosca na sopa bem nutrida. Os ossos ficam sempre para o povo, mas com a cachorrada descoberta, o paternalismo deu lugar a uma briga de cachorro grande, com cobra engolindo cobra.

                    Os filhos se rebelaram contra seus pais, e estes contra seus filhos. Até parece presságio de fim de mundo, e o é. O Brasil vive um apocalipse emporcalhado, com Lula, Dilma, Temer e Aécio no mesmo saco, qual esterco bovino. É certo que os irmãos cometem pecados, mas tiveram a virtude da confissão e, principalmente, coragem de brigar com a gente tão poderosa, enfrentar uma República inteira (executivo e legislativo, oposição e situação) para expor as vísceras do poder. Agora, nem PT pode falar de PSDB e PMDB, nem estes daquele. São tudo tripa de um mesmo fato e quando se acusam é que que dizem a verdade.

                    Mas não são as leis atuais nem a Justiça que está que vão limpar toda essa carnificina produzida pela corrupção à custa da sangria do povo, até porque os escândalos no país se sucedem ou correrem paralelo, pois o poder permanece, em sua essência, do municipal ao federal, nas mãos das mesmas figuras e as mudanças nem sempre são para melhor, porque o povo sempre se deixa levar por um bom churrasco eleitoral, mesmo que depois volte para o feijão puro.

                  No próximo ano, tempo de eleição, a maior parte dos políticos citados nos esquemas será eleita ou reeleita, basta ver que o primeiro pai da Friboi é primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, mas uma coisa conforta os que têm consciência: agora a verdade está aí, pronta para ser saboreada qual apetitosa custela assada, mas o Brasil come o pão que o diabo amaçou e não é de todo ruim: pode ser que essa depuração traga algum bom prato no futuro para todos nós, povo.

                    O que se espera é que essa comida de conhecimento gere consciência política no povo para se perceber que há opção, sim, para o voto em 2018. Há saida sim, mas este caminho, por exemplo, não passa por urubus como Bolsonaro, que aproveita a carniça política que vive o país para se fartar com seus argumentos falso-moralistas. Ele e a família estão na política há 30 anos, mas em casa de ferreiro, espeto de pau: nem uma boa lei conseguiu no forno do parlamento para alimentar qualquer interesse da nação.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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    Em 25/10/2016

     

    Daqui a algures, são os bancos que dão a dimensão do quanto este país é promíscuo

     



                De Itaporanga a Brasília e em cada canto deste país, os equipamentos e serviços públicos não prestam e todos sabem o porquê. Os políticos mandatários apropriam-se do dinheiro público e se dão bem à custa do sacrifício e do sofrimento do povo. Promovem os maus feitos às escondidas, porque nunca é fácil provar corrupção, e, raramente quando são pegos, escondem-se por trás da presunção de inocência, um dos elementos basilares do nosso direito ou do foro privilegiado, e terminam impunes pela possibilidade de incontáveis esconderijos jurídicos.

                  E, embora seja a corrução mais visível na face da classe política, quem verdadeiramente dá a dimensão do quanto este país é promíscuo são os bancos, que cometem seus delitos às claras pela certeza de que nem a um processo responderão nem sairão mal, visto na TV, porque bancam tudo, tanto que, sem qualquer pudor, continuam massacrando financeiramente os mais pobres, especialmente aposentados rurais e beneficiados do amparo assistencial.  Não por acaso, o lucro dos bancos, notadamente os privados, cresceu espetacularmente nos últimos dez anos.

              Eles não contam apenas com os juros altos e o empréstimo consignado fora de limites legais e que nunca serão pagos pelo devedor, contam também com o favorecimento governamental para o uso de táticas para a apropriação indevida de dinheiro de míseros aposentados, transformando conta-benefício em conta-corrente desnecessariamente para ganharem taxas e tarifas à custa do individamento e empobrecimento popular. Sem falar nas gordas isenções fiscais que usufruem pela manutenção de limitadas ações sociais e culturais através de fundações para posarem de bonzinhos perante à opinião pública.

                Talvez o melhor exemplo do desrespeito ao Código do Consumidor, ao Estatuto do Idoso e à legislação que rege o sistema financeiro nacional seja o Bradesco, que, embora apareça generoso e descente na TV, onde patrocina inúmeros programas, entre os quais o mais importante telejornal do país, inclusive também compra o silêncio da grande mídia para questões como esta, o banco mostra-se avarento acima de sua própria natureza bancária e abusivo além do tolerado para um instrumento do capital.

                O Bradesco cresceu muito nos últimos anos graças aos privilégios oferecidos pelo governo, o conhecido “ toma lá, da cá” costurado com os poderosos políticos mandatários ainda em tempo de campanha. Primeiro ocupou as agências dos Correios, fazendo delas um balcão de seus negócios extremamente lucrativos, depois abriu agências próprias em cada um dos municípios do Vale e por todo o interior nordestino com o único intuito de explorar os pobres aposentados. E é fácil notar a estratégia ilegal para atrair dinheiro.

                 O esquema que garante tanto lucro ao Bradesco é fácil de compreender: primeiro o Governo Federal libera a concessão e o pagamento do beneficio atrelado ao Bradesco, e, ao dirigir-se à agência para receber sua aposentadoria ou amparo, o cidadão é obrigado a abrir uma conta-corrente, mesmo sem necessidade, passando a pagar tarifas e taxas de manutenção da conta bancária.

                O beneficiário não tinha necessidade de abrir uma conta onerosa, porque a conta-benefício, que é garantida pelo governo, já é suficiente para ele receber seu dinheiro e até obter crédito. No entanto, sem informação, idosos e portadores de necessidades especiais tornam-se presas fáceis para a lábia do banco, tornam-se correntistas sem necessidade e, depois, contraem empréstimos, seguros e outros produtos financeiros desnecessários, e dos quais não se livrarão nunca. Muitos até notam que estão sendo iludidos e furtados, mas, sem saber a quem recorrer, e talvez nem tenha a quem recorrer, para garantir seus direitos, terminam escravos do banco  “até que a morte os separe”.

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    Em 17/03/2016

     

    Brasil entre jararacas e mosquitos: se correr o bicho pega, se ficar...

     



                   Por Sousa Neto - Nunca as cobras da política brasileira mostraram tão nitidamente seu veneno como agora. Nunca se viu na República tanta jararaca venenosa e de bote armado. A população, já infectada pelas doenças virais transmitidas por um mosquito sem controle, agora assiste envergonhada ao descontrole da política, transformada em um permanente e insistente caso de polícia. Estamos todos contaminados pela indignação e pela dúvida também. Qual o melhor caminho para este país? Será que há vereda sem espinhos para sairmos da crise? Muitos acreditam que não.

                    A sensação dos brasileiros é que, em meio tantas cobras e mosquitos, estamos em um mato sem cachorro e, se correr o bicho, se ficar, o bicho come. Se a presidente Dilma, já combalida pelas últimas delações, o veneno dos seus ex-aliados e suas próprias precipitações em favor do seu padrinho político, cair, o seu lugar será ocupado pelo vice Temer, também investigado e chefe de um PMDB cada vez desmoralizado. Assim também como cheiram mal o presidente da Câmara e o do Senado. A República parece quase toda apodrecida moralmente.

                    Enquanto a crise se alastra, o mosquito suga o nosso sangue e nos deixa doentes sem leitos hospitalares, assim como agem as serpentes da politica com seus botes costumeiros nas verbas públicas, nos deixando anêmicos de vergonha e carências. Enquanto a crise política, advinda da corrução e dos malfeitos na economia, estagna o governo, que, à beira do abismo, agarra-se a tudo o que é legal e ilegal para não cair, o Brasil agoniza (é um salve-se quem puder): a chikungunya mata milhares de idosos por todos os cantos por falta de ações preventivas e falta de hospitais que prestem; o desemprego faz milhões de vítimas; impostos e inflação inviabilizam a vida doméstica; violência e miséria se alastram pelas ruas. E, se não bastasse tudo isso, em Itaporanga e em grande parte do Sertão da Paraíba, temos o agravante da falta d’água graças à omissão dos governos municipal e estadual, que deveriam, também, merecer protestos e impeachment.

               Diante dessa grande ebulição social, somente o equilíbrio emocional das pessoas e a atuação isenta das instituições democráticas, como a Justiça e o Ministério Público. Mesmo sendo passíveis de falhas e críticas, podem nos garantir um caminho menos espinhoso pela sua constitucionalidade. Talvez a renúncia ou impeachment de Dilma, pedido pelas ruas, não seja suficiente. É preciso uma renúncia coletiva dos presidentes do Senado, Câmara e vice-presidente da República pela falta de condições morais para os cargos que ocupam ou que venham a ocupar, como no caso do vice, que pode ser presidente se Dilma cair.

               Se houvesse uma renúncia coletiva, o passo seguinte e importante seria se convocar uma nova eleição para presidente para que o Brasil decide nas urnas seu destino. Tudo isso é um mero apontamento de caminhos para o país, mas uma coisa hoje é certa: Dilma perdeu a condição de governabilidade, e, se insistir, pode aumentar a convulsão social e o enfraquecimento das instituições, havendo risco de uma nova intervenção militar no país, o que seria desastroso.

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    Em 17/11/2015

     

    O Vale do Piancó e o Vale do Rio Doce: estamos sedentos e ferrados

     



                    Editoral da Folha (Sousa Neto) - Enquanto no Vale do Rio Doce a lama que mistura ferro e omissão mata peixes e meninos diante do silêncio de muitos deputados e senadores, que tiveram suas campanhas financiadas pelas poderosas mineradoras, aqui, em nosso Vale do Piancó, o mais importante rio do Sertão paraibano mistura-se a dejetos de esgotos e a rejeitos de garimpos clandestinos. A água que faltou no rio moribundo falta também em nossas torneiras diante da leniência de políticos que compraram seus mandatos e não nos devem nenhum favor.

                    Os moradores do Vale do Rio Doce, agora com gosto de ferrugem, hoje não têm casa e há os que perderam até a vida. Nós, do Vale do Piancó, temos que enfrentar não apenas a falta d’água, mas a quentura das balas também: do ano passado para cá, foram quase 70 homicídios em nosso Vale, mas apenas um reduzido extrato do grande rio de sangue que é este país, onde milhares morrem por tiros e outros tantos por lama, seja aquela despejada pela chuva sobre casebres nas periferias dos centros urbanos litorâneos, seja aquela rubra, semelhante a sangue morto, deixada correr pela Samarco sobre o destino de milhares de pessoas e bichos.

                     No entanto, o que esperamos é que as autoridades de Minas Gerais, que precisam agir para garantir os direitos das vítimas da lama férrea, não sejam tão irresponsáveis quanto o governo paraibano, que já deveria ter construído as adutoras emergenciais para evitar o colapso no abastecimento d’água das cidades do Vale, a exemplo de Piancó, Itaporanga, Conceição, Diamante e Boa Ventura, mas gastou o dinheiro em um centro de convenções, recentemente palco de uma reunião da ONU para tentar vender a imagem de uma Paraíba puramente ilusória.

                     Mas o mundo desconhece o terror que nos assusta e mata também. Não há flores nem choro dos europeus e nem dos norte-americanos para os que morrem aqui pela lama, pela seca, pela bala, pela falta de hospitais que prestem, pela de educação que salve. Ninguém no planeta veste nossa bandeira, nem nós mesmos. Nós mesmos desconhecemos nosso drama, entramos no modismo midiático e imaginamos ser a nossa tragédia menor do que os problemas da Europa que nos chegam pela TV e internet.

                    O atentado terrorista a Paris, o maior da história da França, despertou a atenção do mundo, mas o mundo também poderia se chocar com o tamanho da carnificina brasileira, bem mais sanguinária do que qualquer ato terrorista. O atentado francês matou 129 e comoveu o planeta, mas, no Brasil, 160 pessoas são assassinadas todo santo dia, durante os 365 dias do ano em atentados à bala e à faca. São quase 60 mil homicídios anualmente.

                    Mas, para uma terra e uma mídia capitalistas e espetacularizadas, a vida de um norte-americano ou a de um europeu parece valer bem mais do que a de um brasileiro ou a de um cidadão do Iraque e da Síria, onde as bombas aéreas americanas e francesas matam dezenas de inocentes todos os dias. Matam agora e mataram no passado, quando a França ocupou arbitrariamente o país sírio e o deixou em frangalhos, assim como fizeram os americanos na terra iraquiana.

                    Precisamos repudiar a sexta-feira 13 em Paris, mas também voltar os olhos para nossa própria tragédia, caso contrário, não teremos armas contra o terror da violência, que, silenciosamente, nos aniquilam todos os dias sem flores nem choro do mundo. Imagem e arte Folha do Vale.

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    Em 13/09/2015

     

    Os verdadeiros inventores do terrorismo

     



                 Desde as Cruzadas, a Europa mata, maltrata e usurpa o Oriente, e passou a matar e roubar também os povos da África e América. Levaram dos nativos as riquezas e o sossego. A Inglaterra exterminou milhões de indianos pela fome e foi a causa e a cor do racismo mortal que tanto vitimou e separou a África do Sul e outras Áfricas. Vestidos de crucifixos e espadas, Portugal e Espanha invadiram a América do Sul e África, escravizaram negros e brancos, apossaram-se de suas terras e riquezas minerais, legando miséria e conflitos. Os alemães mataram milhões de judeus e pretos; a Holanda financiou e fomentou o comércio de escravos negros, gerando terror em muitas tribos africanas.

                 A França, que trucidou tantos povos na África, invadiu também a Síria e a dominou por muitas décadas, arruinando o país, que tem uma diversidade de grupos étnicos e religiosos. O país conquistou sua independência, mas as influências e tropas estrangeiras continuaram ditando as regras em suas questões internas. Hoje a nação está conflagrada por uma guerra civil e incontáveis famílias sírias rumam à Europa em busca de refúgio e sobrevivência, mas os naufrágios no Mediterrâneo e a intolerância europeia têm produzido imagens que chocam o mundo e depõem contra a própria humanidade. O sentimento ilusório do eurocentrismo parece ainda vigorado e a Europa que, um dia, quis civilizar o mundo, parece ela mesma incivilizada. A imagem do menino sírio Alan Kurdi boiando em águas marinhas é simbólica e nos remete à imaginação das inúmeras tragédias não fotografadas nem noticiadas de tantas outras famílias sírias, parquitanesas, iraquianas e africanas naufragadas na tentativa desesperada de chegar a Europa, mas pior do que vencer a travessia marinha é transpor as barreiras europeias.

                 Hoje os corpos de crianças refugiadas boiando no mar reproduzem o retrato dos meninos escravos mortos nos navios negreiros e deixados nas águas marinhas de séculos atrás. A Europa, rica e arrogante, sempre foi desumana e sua crueldade histórica é que gerou o cenário macabro que corre o mundo por inúmeras e tristes fotos agora. Em tempos outros, a Europa invadiu a Ásia, América e África, onde escravizou nossos nativos, violentou nossas mulheres, desarmonizou nossas etnias e roubou nossa prata e ouro. Enriqueceu pelo nosso suor e sangue, deixando a miséria e a guerra nas terras exploradas.
                 Hoje, esse povo, fugindo dos conflitos e pobrezas criadas pelos próprios invasores europeus, faz o caminho inverso à procura de paz e pão, mas a Europa impiedosa vira as costas e fecha as portas para os refugiados que ela própria criou. A Europa, que trazia à força homens, crianças e mulheres como escravos para o continente, agora humilha e aniquila os que espontaneamente buscam o velho mundo na esperança de encontrar as oportunidades que lhes foram roubadas séculos atrás. 
               A Europa comete um crime contra a humanidade ao não dar abrigo aos refugiados, construindo cercas burocráticas e obstáculos físicos para evitá-los, mas também encarcerando, repetindo seus velhos campos de concentração e permitindo que muita gente seja engolida pelo Mediterrâneo, como no tempo dos navios mercantes e negreiros. 
               As crianças são os que mais sofrem e morrem: quando não perdem a vida, ficam órfãos no percurso. Sofrem também pela fome e a doença nas longas viagens, algumas à deriva, sofrem pela falta de caminho e esperança, sofrem ao ver os pais pisoteados, surrados e oprimidos pelas polícias europeias. Enquanto isso, os Estados Unidos, que também têm culpa no cartório, fingem que não estão vendo nada, que nada está acontecendo, porque as vítimas são um bando de pobres e pretos, nada importante para os insensíveis americanos do norte, que estão acostumados a matar por bombas e embargos. EUA e Europa, que se queixam tanto dos atentados, são exatamente os inventores do terrorismo no mundo. A humanidade está sendo aniquilada pela sua própria maldade. Foto (Getty Images): menino refugiado deixando a Síria.

     

     

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    Em 30/04/2015

     

    Para os cristãos do Vale e do país: a posição da Igreja sobre maioridade penal, corrupção, armamento e terceirização

     



                    É importante que os cristãos deste Vale e de todo o país leiam e reflitam a nota divulgada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e que sintetiza o pensamento da Igreja Católica sobre temas como a maioridade penal, corrupção, crise econômica e terceirização.

                    O texto defende a manuteção de conquistas e direitos sociais garantidos pela Constituição, que estão sendo ameaçados atualmente, conclama a todos a se unirem em favor dos mais pobres e vulneráveis, defende a cultura da paz e da ressocialização e diz por que a Igreja é contra a redução da maioridade penal, o armamento civil e a terceirização, temas atualmente em discussão no Congresso Nacional.

                    A nota reflete, ideologicamente, o que pensa a fundação humanitária José Francisco de Sousa e o jornal Folha do Vale por entenderem que, somente com justiça social e escola em tempo integral, o Vale e o Brasil trilharão pelo caminho da paz e do desenvolvimento solidário e sustentável. Vejam integralmente o texto:

     

    Nota da CNBB sobre o momento nacional

                     “Entre vós não deve ser assim” (Mc 10,43).

                      A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida em sua 53ª Assembleia Geral, em Aparecida-SP, no período de 15 a 24 de abril de 2015, avaliou, com apreensão, a realidade brasileira, marcada pela profunda e prolongada crise que ameaça as conquistas, a partir da Constituição Cidadã de 1988, e coloca em risco a ordem democrática do País. Desta avaliação nasce nossa palavra de pastores convictos de que “ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (EG, 183).

                       O momento não é de acirrar ânimos, nem de assumir posições revanchistas ou de ódio que desconsiderem a política como defesa e promoção do bem comum. Os três poderes da República, com a autonomia que lhes é própria, têm o dever irrenunciável do diálogo aberto, franco, verdadeiro, na busca de uma solução que devolva aos brasileiros a certeza de superação da crise.

                       A retomada de crescimento do País, uma das condições para vencer a crise, precisa ser feita sem trazer prejuízo à população, aos trabalhadores e, principalmente, aos mais pobres. Projetos, como os que são implantados na Amazônia, afrontam sua população, por não ouvi-la e por favorecer o desmatamento e a degradação do meio ambiente.

                       A lei que permite a terceirização do trabalho, em tramitação no Congresso Nacional, não pode, em hipótese alguma, restringir os direitos dos trabalhadores. É inadmissível que a preservação dos direitos sociais venha a ser sacrificada para justificar a superação da crise.

                       A corrupção, praga da sociedade e pecado grave que brada aos céus (cf. Papa Francisco – O Rosto da Misericórdia, n. 19), está presente tanto em órgãos públicos quanto em instituições da sociedade. Combatê-la, de modo eficaz, com a consequente punição de corrompidos e corruptores, é dever do Estado. É imperativo recuperar uma cultura que prima pelos valores da honestidade e da retidão. Só assim se restaurará a justiça e se plantará, novamente, no coração do povo, a esperança de novos tempos, calcados na ética.

                       A credibilidade política, perdida por causa da corrupção e da prática interesseira com que grande parte dos políticos exerce seu mandato, não pode ser recuperada ao preço da aprovação de leis que retiram direitos dos mais vulneráveis. Lamentamos que no Congresso se formem bancadas que reforçem o corporativismo para defender interesses de segmentos que se opõem aos direitos e conquistas sociais já adquiridos pelos mais pobres.

                      A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000, por exemplo, é uma afronta à luta histórica dos povos indígenas que até hoje não receberam reparação das injustiças que sofreram desde a colonização do Brasil. Se o prazo estabelecido pela Constituição de 1988 tivesse sido cumprido pelo Governo Federal, todas as terras indígenas já teriam sido reconhecidas, demarcadas e homologadas. E, assim, não estaríamos assistindo aos constantes conflitos e mortes de indígenas.

                      A PEC 171/1993, que propõe a redução da maioridade penal para 16 anos, já aprovada pela Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça da Câmara, também é um equívoco que precisa ser desfeito. A redução da maioridade penal não é solução para a violência que grassa no Brasil e reforça a política de encarceramento num país que já tem a quarta população carcerária do mundo. Investir em educação de qualidade e em políticas públicas para a juventude e para a família é meio eficaz para preservar os adolescentes da delinquência e da violência.

                     O Estatuto da Criança e do Adolescente, em vigor há 25 anos, responsabiliza o adolescente, a partir dos 12 anos, por qualquer ato contra a lei, aplicando-lhe as medidas socioeducativas. Não procede, portanto, a alegada impunidade para adolescentes infratores. Onde essas medidas são corretamente aplicadas, o índice de reincidência do adolescente infrator é muito baixo. Ao invés de aprovarem a redução da maioridade penal, os parlamentares deveriam criar mecanismos que responsabilizem os gestores por não aparelharem seu governo para a correta aplicação das medidas socioeducativas.

                    O Projeto de Lei 3722/2012, que altera o Estatuto do Desarmamento, é outra matéria que vai na contramão da segurança e do combate à violência. A arma dá a falsa sensação de segurança e de proteção. Não podemos cair na ilusão de que, facilitando o acesso da população à posse de armas, combateremos a violência. A indústria das armas está a serviço de um vigoroso poder econômico que não pode ser alimentado à custa da vida das pessoas. Dizer não a esse poder econômico é dever ético dos responsáveis pela preservação do Estatuto do Desarmamento.

                     Muitas destas e de outras matérias que incidem diretamente na vida do povo têm, entre seus caminhos de solução, uma Reforma Política que atinja as entranhas do sistema político brasileiro. Apartidária, a proposta da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, da qual a CNBB é signatária, se coloca nessa direção.

                     Urge, além disso, resgatar a ética pública que diz respeito “à responsabilização do cidadão, dos grupos ou instituições da sociedade pelo bem comum” (CNBB – Doc. 50, n. 129). Para tanto, “como pastores, reafirmamos ‘Cristo, medida de nossa conduta moral’ e sentido pleno de nossa vida” (Doc. 50 da CNBB, Anexo – p. 30).

                    Que o povo brasileiro, neste Ano da Paz e sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, supere esse momento difícil e persevere no caminho da justiça e da paz.

                      

    Aparecida, 21 de abril de 2015.

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    Em 08/02/2015

     

    A sociedade e os traficantes não querem a legalização da maconha. Por que será que eles pensam iguais?

     



    Por Sousa Neto - Não há dúvidas quanto à intenção do traficante: o que ele quer é uma maior circulação de entorpecentes no meio social para obter mais lucro, enquanto o que a sociedade deseja é acabar com as drogas, ou seja, eles têm pensamentos diferentes neste quesito, mas quando se fala em legalizar, o que significa liberar a venda da maconha, pensam exatamente iguais: os traficantes não querem e os cidadãos também não.
    Porque será que pessoas de bem e os traficantes de drogas pensam exatamente iguais? A razão é simples: o traficante reflete com a inteligência de um homem de negócio (ilegal), enquanto a sociedade pensa motivada pela emoção, alimentada por desinformações da mídia policialesca e opiniões infundadas e preconceituosas de religiosos e autoridades políticas.
    O traficante sabe o que quer e está consciente de que se houver liberação e regulação oficial da maconha, o negócio do tráfico será mortalmente atingido e ele terá que deixar o lucrativo ramo. Durante 20 anos, como jornalista, atuando nos meios policiais, desenvolvi uma pesquisa junto a pessoas autuadas por tráfico e a quase unanimidade dos “traficantes” são contrários à liberação. Pensam como a grande maioria do povo, mas por razões diferentes.
    O temor da sociedade é que, com a liberação, a maconha seja disseminada e aumente expressivamente o número de usuários. Essa preocupação parece ter sentido, mas se desmancha na fumaça da realidade pelo seguinte: hoje, mesmo com toda proibição ao tráfico, qualquer pessoa em qualquer parte deste país que queira usar maconha e, tendo dois reais no bolso, conseguirá a droga facilmente. Isso significa que toda a guerra que o governo trava contra os entorpecentes não está logrando êxito. Enquanto mais gente é presa, mais gente há para prender. O endurecimento da pena também já se mostrou ineficaz. Hoje o que se faz é enxugar gelo, e a sociedade, desinformada, acredita na mentira do governo de que está combatendo as drogas.
    Além do fracasso, a repressão aos entorpecentes está contribuindo para uma grande derrama de sangue e de dinheiro público em vão, ou seja, o aumento da violência. O que se observa, ano após ano, é a morte de policiais e de inocentes aos montes por este país afora e o gasto de bilhões de reais em uma guerra que já nasceu perdida. Se todo esse dinheiro fosse bem aplicado em educação em tempo integral, cultural artística, saúde mental, moradia digna, acolhimento de meninos e meninas vítimas de abandono e exclusão e boa instrução profissional, nossa realidade seria outra: o jovem se afastaria da droga naturalmente, mas os políticos mandatários preferem mascará o problema para tentar combater apenas os sintomas do mal e produzir efeitos a curto prazo para se dar bem a cada eleição, quando, na verdade, as causas dessa doença social não são atacadas e por isso a enfermidade persiste e mata a todos nós.
    Ninguém nasceu para ser traficante nem usuário de droga, mas o governo abandonou as periferias e os seus jovens e, por causa dessa omissão governamental, o tráfico encontrou seu habitat perfeito, onde se reproduz plenamente. Mas é importante dizer que só existe tráfico por que existe consumo, mas o consumo já está liberado, não é mais crime porque se trata de uma doença. O problema, no entanto, está no controle do comércio da maconha, que hoje está nas mãos dos traficantes, e eles não querem passar para o Estado porque vão perder seu lucrativo negócio.
    É fato que sempre existirá usuários de maconha independentemente da proibição ao tráfico ou não, mas cabe a sociedade dizer se quer que os traficantes continuem gerenciando esse negócio e impondo suas regras sanguinárias ou o comércio passe a ser oficial, com o governo tributando e controlando a venda da Canábis. Uma comissão do Senado está discutindo isso em audiência pública.

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    Em 19/12/2014

     

    A guerra contra o tráfico de drogas mata a todos nós

     



    Por Sousa Neto - Anualmente, os governos gastam bilhões de reais no combate ao tráfico de droga no Brasil, e, nessa guerra, o dinheiro público esvai-se sem razão nem eficácia e incontáveis vidas humanas também são desperdiçadas: policiais, suspeitos e inocentes, muita gente morta. Uma morte em vão, uma luta sem sentido e onde todos já estão derrotados.
    Sem sentido porque, apesar de tanto dinheiro e sangue derramados, o tráfico continua por todos os pontos deste país. É evidente que qualquer usuário, independentemente de onde esteja, se tiver dinheiro, terá droga, ou seja, de nada adianta o esforço dos governos nessa guerra desenteligente. Estamos enxugando gelo, mas a um custo muito alto: a carnificina é a face mais horrível dessa luta entre mocinhos e bandidos, que, às vezes, confudem-se: nem sempre se sabe quem é o herói ou quem é o vilão.
    Jovens pretos e pobres das periferias são mortos todos os dias por balas oficiais: essa pena de morte cumprida por grupos de extermínio ou durante supostos confrontos  atinge acusados, mas também inocentes, motivando uma reação popular contra às próprias instituições pagas pelo erário para defender o povo, gerando um barbarismo que só faz crescer a violência: morrem criminosos, morrem policiais, morrem inocentes, morremos todos nós.
    As prisões que se efetivam geralmente são de pobres diabos de pouca importância na hierarquia do tráfico, e os poucos grandes traficantes presos logo são substituídos por outros comandantes no comércio do entorpecente ou continuam chefiando o negócio de dentro das penitenciárias. As UPPs criadas no governo sanguinário e corrupto de Sérgio Cabral são uma mentira, que parte da imprensa engoliu como verdade. Foi em uma dessas Unidades de Polícia Pacificadora que o pedreiro Amarildo desapareceu, assim como muitos outros inocentes. Parte da polícia do Rio reflete o próprio Cabral, violenta e corrupta.
    A causa primária do problema das drogas é, sem dúvida, a corrupção governamental: o dinheiro que deveria ser investimento em cultura, esporte, educação em tempo integral e moradia digna para os jovens da periferia é desviado para a conta e bolso de alguns figurões da política. Sem perspectiva, as crianças e jovens foram e continuarão indo para o tráfico como meio de vida, aliás, o único.
    O resultado de décadas de omissão e opressão do poder público contra os pobres foi o alastramento do tráfico como câncer profundo, e o remédio que se usa atualmente já se mostrou inócuo. O Brasil tem que encontrar um novo caminho para o enfrentamento das drogas, porque a vereda que trilhamos só nos conduzirá, como sempre, a sangue e lágrimas. Talvez um dos nossos faróis na busca por uma luz no fim do túnel esteja na sabedoria e humildade de José Mujica, presidente uruguaio.

     

     


     

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    Em 31/05/2014

     

    O que é preciso para acertarmos o voto

     



    Por Sousa Neto - É notória a insatisfação popular com a qualidade dos serviços públicos e com a corrupção, que afeta e se alastra desde a menor Prefeitura do país ao Palácio do Planalto. As manifestações de junho do ano passado mostraram todo o descontentamento de grande parte da população com a gestão pública. Muitos defendem uma transformação pelo voto, e estão certos, mas, com o sistema político-eleitoral que atualmente vigora, não vamos chegar a lugar nenhum, ou seja, as velhas raposas do erário e os poderosos grupos oligárquicos e econômicos vão continuar sendo eleitos e reeleitos, mandando e desmandando.
    O mal de nossa política partidária é o modelo de campanha eleitoral em vigor, baseada no voto como mercadoria, um tipo de negócio que necessita de fortuna para girar. Não são as campanhas mais propositivas e sérias que ganham as eleições neste país; são as mais caras, as mais ricas que chegam ao poder movidas pela captação ilícita de votos e por promessas que nunca serão cumpridas, mas terminam impressionando o eleitor pelo marketing e pela explendorosa estrutura de som e imagem que jogam nas ruas e no guia eleitoral.
    Para mover toda essa máquina de gerar voto é preciso muito dinheiro. Empresas e pessoas doam recursos financeiros às grandes campanhas eleitorais, e aí é onde começa o mal da coisa: por que será que doam? Claro que é para serem recompensados mais tarde quando o candidato for eleito ou reeleito e assumir o poder.
    O mais grave, no entanto, não são as doações contabilizadas oficialmente, mas o dinheiro obtido pelos candidatos ilegalmente através do chamado Caixa 2, que é alimentado por pessoas físicas e jurídicas graças a recursos retirados dos cofres públicos por meio de superfaturamento de obras e serviços contratados com o poder público pelo instrumento odioso da licitação fraudulenta.
    Isso ocorre nas campanhas para o executivo, e para o legislativo também: agora mesmo dezenas de candidatos a deputado estadual e federal estão por aí comprando apoio de lideranças políticas locais e regionais (prefeitos, ex-prefeitos e vereadores) para conseguirem alcançar o voto do eleitor no pleito de outubro próximo. E esse dinheiro, de onde vem? Certamente é o que faltou para a melhoria e ampliação das políticas públicas voltadas à solução das demandas da coletividade.
    Já na corrida às Prefeituras, o dinheiro não é o único meio de se obter voto: o chamado compromisso político também custa caro aos cofres públicos: o candidato a prefeito compra o voto do cidadão pobre com uma feira, um remédio, uma passagem, uma “ajuda” qualquer; já o voto do cidadão rico é comprado com a garantia de que seu automóvel ou imóvel será alugado para servir à Prefeitura; comprará no seu mercadinho, contratará sua empresa ou lhe dará um emprego comissionado. A barganha eleitoral é uma fortíssima aliada nas campanhas municipais.
    Todo esse poderio das candidaturas ricas sufoca e inviabiliza as candidaturas humildes, que não têm espaço na mídia e aparece pouco no guia. Mesmo geralmente com boas propostas e competência, os chamados candidatos alternativos não alcançam a popularidade e seus projetos eletivos perecem, o que compromete nossa democracia ao romper o equilíbrio do pleito, com uma candidatura em vantagem financeira sobre a outra.
    A compra de apoio político, no entanto, não se acaba com a abertura das urnas. Depois de eleitos, prefeitos, governadores e o próprio presidente precisam manter suas bases de apoio parlamentar para conseguirem aprovar matérias do interesse governamental no legislativo. Para isso, têm que dispor de recursos e vantagens para oferecer a vereadores, deputados estaduais e federais para conseguir o apoio necessário, como foi o caso do Mensalão, que levou à cadeia alguns figurões do PT, coisa rara no país onde a impunidade reina com relação aos crimes contra o erário público.
    Diante das graves falhas do nosso sistema eleitoral e partidário, o desafio é criar uma legislação eficaz na moralização das campanhas eleitorais. O caminho para isso seria uma profunda reforma política, mas os atuais congressistas, que foram eleitos ou reeleitos pelo sistema em vigor, não têm interesse de mudança, tanto que a reforma não sai das gavetas do Congresso Nacional.
    Uma reforma política é preciso para vencer os vícios do modelo atual de campanha, estabelecendo, por exemplo, um tipo de financiamento de campanha que possa dificultar as fraudes financeiras e gastos abusivos, se o financiamento público, o misto ou continuar com o privado, que já se mostrou impróprio. É preciso também definir limites de gastos nas campanhas e, principalmente, criar instrumentos de fiscalização capazes de impedir o gasto excessivo e além do teto estabelecido.
    A reforma política também definirá que tipo de voto teremos para deputado: se o distrital, o misto ou proporcional, este que ocorre atualmente, mas tem sido alvo de crítica por promover um distanciamento entre o eleitor e o eleito, enquanto no voto distrital, por exemplo, o cidadão elege um representante de sua própria região, o que melhora a qualidade da representação política.
    A reforma é necessária, mas ninguém sabe quando será realizada pelo Congresso Nacional, o que é preocupante para um país que precisa moralizar a conduta dos seus políticos com reflexos positivos na gestão pública. Sem uma mudança profunda e eficiente na legislação eleitoral, não haverá avanços na vida política e administrativa do país, o que é profundamente danoso à democracia. O descontentamento popular está nas ruas. O povo já não mais se sente representado. A classe política há muito tempo está em descrédito. Os partidos, com poucas exceções, se enfraqueceram: perderam a ideologia e um rumo, e ninguém sabe para onde caminham.

     

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    Em 26/01/2014

     

    Violência: estamos colhendo o que a elite dominante plantou

     



              Por Sousa Neto - Olhem para dentro das cadeias e presídios brasileiros e verão as respostas para os porquês deste ser um país tão violento. As respostas estão por trás das grades, mas as razões de tanta criminalidade estão do lado de fora, especialmente nos gabinetes luxuosos onde as elites dominantes rubricam a injustiça social com a caneta da corrupção e da omissão, matrizes geradoras de violência.
              E quem são as criaturas que formam nossa massa carcerária, que já passa de meio milhão de pessoas? Pretos e pobres analfabetos ou semianalfabetos; gente totalmente excluída, deixada à margem do desenvolvimento social e educacional; mulheres e homens que nunca tiveram uma casa própria nem um pedaço de terra nem qualificação profissional; indivíduos que nunca frequentaram a escola ou passaram pouco tempo lá e tiveram uma infância e adolescência marcada pelo abandono e a violência. São os seus próprios filhos que o Brasil renegou, esqueceu, deixou pelo meio do caminho, e eles, sem saída, enveredaram pelo crime. Agora o mesmo Estado que os gerou pela omissão, encarcera-os feito bichos em um sistema prisional fétido e falido.
              Toda essa injustiça social que leva muitos brasileiros ao crime começa pela má distribuição da terra, da moradia e da renda. Hoje, como sempre na história deste país, os trabalhadores do campo não têm um pedaço de chão para produzir e viver, sendo obrigados a se submeter ao jugo e a exploração do proprietário. Fugindo da opressão mais do que da seca, muitos migram para os grandes centros e, sem instrução nem qualificação, nem todos conseguem uma vida melhor.
             A moradia ou a falta dela é outro drama social: são milhões de famílias sem casa própria, abrigando-se precariamente nos becos, favelas, nos morros, nas periferias e ameaçadas pela chuva, pelos esgotos, pelo tráfico, pela prostituição, pela falta de escola que preste, pela falta de hospitais que funcionem. Pessoas sujeitas a toda sorte de infortúnios: a desgraça, a miséria, a violência de todos os tipos, e é nesse ambiente que seus filhos nascem, crescem e se marginalizam. É gente de bem habitante de um ambiente mal e que, desde cedo, é criminalizada pela cor de sua pele e pela sua condição social.
              Crianças e jovens, meninos e meninas, vítimas de degradação familiar e da omissão dos poderes públicos e que, não tendo outra alternativa que lhe supram o abandono e a miséria, desde cedo são aliciados pelo crime e pela prostituição e sedem aos apelos do mal. Mas, lamentavelmente, existem os que querem ainda mais castigo para essas vítimas: defendem a redução da maioridade penal como meio de combater a violência, mas isso é um equívoco. O que deveriam defender era o aumento das penas para os crimes de corrupção, transformando em crime hediondo o furto ao dinheiro público.
    Porque é a corrupção a mãe de todas essas mazelas: o dinheiro que seria para botar nossas crianças e adolescentes no caminho do bem pela cultura, educação, saúde e qualificação fica no bolso de políticos criminosos. Mas essa gente endinheirada e poderosa é idolatrada, abraçada e votada. O povo, no seu erro, defende os engravatados ladrões de milhões e atiram pedras nos pobres meninos de rua gerados exatamente pelo furto aos cofres públicos.

     

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    Em 04/10/2013

     

    Idosos e seu cotidiano: dificuldade de acesso à saúde, maus tratos e solidão

     



    Por Sousa Neto/Isaías Teixeira - As festividades pelo Dia Mundial do Idoso, 1° de outubro, escondem um cotidiano de flagrante agressão aos direitos da pessoa idosa. Entre os mais graves problemas que homens e mulheres deste Vale enfrentam na velhice estão as dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Já sem força física para disputar uma ficha para um atendimento especializado na rede pública, muitos idosos, especialmente os pobres, que são maioria, ficam sem assistência. Nem nas clínicas particulares eles são respeitados: o atendimento pela ordem de chegada é um desrespeito aos mais velhos, que necessitam de atendimento preferencial.
    Um outro problema que também fere sua dignidade são os maus tratos praticados por familiares ou cuidadores. Mas enfrentam também a solidão, a saudade, o abandono familiar e a depressão. Muitos dos suicídios que ocorrem nesta região são de pessoas idosas, o mais recente, inclusive, foi de um aposentado de 88 anos.
    De acordo com o Estatuto do Idoso, que completou dez anos em vigor, em seu Parágrafo Único, Art. 4º, “Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei”. Entretanto, existe uma distância muito grande entre o que está escrito no papel e a prática cotidiana.
    A violência ocorre na rua, seja ela física ou moral, mas é dentro de sua própria casa onde as agressões são mais frequentes: além da lastimável condição de vida, muitos têm seu mísero benefício previdenciário usurpado por filhos e familiares através de longos empréstimos. A maioria desses homens e mulheres trabalhou a existência toda e vai terminar a vida sem um teto próprio e digno, vivendo em condições precárias de moradia.
    A própria sociedade parece ter virado as costas para sua própria história, esquecendo dos construtores que ergueram no passado o que somos e temos hoje. A vida urbana é turbulenta, violenta, ruidosa. A agressividade do trânsito e do som, a agressividade dos mais novos para com os mais velhos. Tudo isso é um desafio instransponível para uma idade avançada.
    Para o ex-presidente da Câmara Municipal de Itaporanga, o cabeleireiro Ademar Soares, de 84 anos e em plena atividade profissional, os idosos são desrespeitados cotidianamente na cidade. Ele lembra dos valores morais, para quem não existem mais, enfatizando o desrespeito contra os mais velhos, dando como exemplo o abuso do som pelos carros de passeio e propaganda, principalmente na Avenida Getúlio Vargas, onde exerce sua função há 60 anos.
    No entanto, mais do que remédios para suas dores físicas e silêncio, os idosos precisam de medicamentos também para o espírito, e isso é conseguido pela força transformadora do lazer, da integração social, mas isso passa pela vontade política do poder público em criar espaços recreativos e de integração.
    Recolhidos a um canto de casa ou em um banco da praça, não vão a lugar nenhum. Nem eles nem nós. A sociedade e as instituições públicas não podem escantear nem excluir os mais velhos, que necessitam ser e estar ativos pelo contributo que ainda podem garantir à sociedade, seja pela ação, seja pelo exemplo.


     

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    Em 14/06/2013

     

    O povo tem suas razões para invadir as ruas

     



    Por Sousa Neto - Muito além de alguns centavos a mais na conta do ônibus, há razões de sobra que motivam o povo a correr às ruas e desafiar as bombas e balas dos governos que estão aí. Há nesses protestos uma carga simbólica que precisa ser decodificada e refletida. É o retrato de um povo que cansou de ser furtado, não pelos meninos e meninas miseráveis que a elite gerou e que quer agora pôr na cadeia aos 16 anos, mas pelos bandidos mais perigosos deste país: os homens engravatados que desfilam entre Prefeituras e Planalto; dos legislativos mirins ao Congresso Nacional.
    O povo não suporta mais ser furtado nas contas bilionárias dos estádios de futebol, enquanto neste Vale e por este país afora crianças morrem por falta de um hospital; jovens padecem pela marginalização; futuros morrem agora ou agora são encarcerados pela falta de educação e cultura.
    Dizem que estão fazendo uma Copa para o povo, mas ao povo caberá apenas o gosto ou desgosto de ver pela televisão a elite gozando os luxuosos estádios construídos com o dinheiro que faltou para Damiana, que se abriga com os filhos em um prédio abandonado; que faltou para Elma, que acolhe sua filha em um casebre imprestável; que faltou para Zefa, que mantém a família em um abrigo de barro e madeira; que faltou para Zé Marreca, que tem nas ruas seu único refúgio; que faltou para Maria, que ainda não tem, sequer, um registro de nascimento. E faltou para tantos outros necessitados, estes que nem pela TV assistirão à Copa.
    Ao passo que a currupção acaba este país, seus governantes tentam mascarar a realidade com futebol, forró e circo. Mas nesse picadeiro, o palhaço está na plateia, é o próprio povo. E se o povo se queixa da saúde e educação públicas, não tem do que se queixar seus gestores, que vivem de bolsos cheios pelos desvios financeiros dentro dos gabinetes, enquanto dentro dos hospitais e escolas um cadáver e um analfabeto a mais não fazem diferença.
    E o povo se queixa da segurança pública, e a solução que a elite política e econômica apresenta é uma farsa. Defendem cadeia para crianças e jovens marginalizados, a quem atiram a culpa para esconder a verdadeira causa da violência, que é o furto o dinheiro que seria para retirar da marginalização, da exclusão social milhares de crianças e adolescentes fustigados pela miséria, pelas drogas e pela falta de perspectiva. Se não forem dadas a esses meninos melhores condições de vida e educação, eles continuarão sendo recrutados ao crime pelo ambiente hostil e precário em que vivem.
    Abrir cadeias e reduzir maioridade penal não resolvem o problema da violência, e os poderosos sabem disso, mas, para satisfazerem uma elite mais propensa ao castigo do que à  educação, preferem botar o lixo embaixo do tapete: é mais rápido, é mais fácil, é mais cômodo, no entanto, daqui a pouco, toda a casa vai estar apodrecida; aí não há vassoura nem cela que dê jeito, e, no final das contas, quem paga é a própria sociedade, esta mesma que, muitas vezes, costuma marginalizar uma criança por causa de um pequeno furto, mas vive a bajular políticos grandes ladrões, cujas mãos sujas são o que gera toda a injustiça social, que, por sua vez, produz toda a marginalidade que estar por aí a corroer o tecido social. Que as pessoas conscientes invadam mesmo as ruas e gritem ao mundo a vergonha por trás da Copa. 

     

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    Em 11/05/2013

     

    A morte silenciosa nas bombas d’água

     



    Por Sousa Neto - São tão constantes que se tornam incontáveis os casos de agricultores vítimas de descargas elétricas em motores e bombas d’água nesta região e pelo estado a fora. Uma tragédia que se abate sobre dezenas de famílias rurais todos os anos: é a mulher que fica sem o marido; é o filho que fica sem pai; é a mãe que fica sem filho; é o campo que perde o trabalhador.
    Na esperança de produzir em uma terra tão ária, garantindo o sustento da família, o agricultor faz suas economias, sacrifica-se e compra uma bomba d’água para irrigar a sua terrinha, mas muitos terminam pagando com a própria vida a aquisição do equipamento.
    Sem a orientação necessária para manusear o motor, o trabalhador rural não tem a noção do perigo que é o contato com a bomba ou motor d’água, nem sempre bem e seguramente instalado, e de vez em quando pipoca a notícia de uma morte. A mais recente delas foi do agropecuarista Antônio Moura, na Mata de Oitis, município de Diamante. Este ano também houve mortes em Santana de Mangueira e Coremas, além de outras, inúmeras, em áreas rurais do interior nordestino.
    Por trás de tão grande e grave mortandade rural esta a omissão: fornecedores e poder público não oferecem ao agricultor que adquire o equipamento elétrico a orientação e qualificação técnica necessárias para o manuseio seguro do equipamento. Aliás, diante de tantas mortes, o governo já deveria ter promovido mais do que capacitação ao homem do campo para a utilização de tecnologia de irrigação, é necessária uma apuração sobre a qualidade desses motores e bombas d’água que são vendidos ao trabalhador rural. Essas perdas sucessivas de vidas podem ser falhas humanas, mas podem também ser algum tipo de irregularidade ou defeito no equipamento.
    Apesar da grande mortandade e as circunstâncias dessas mortes, que têm causas semelhantes (choques elétricos ao tocar ou ligar o motor), os fabricantes dos equipamentos parecem ignorar o problema: já deveriam ter desenvolvidos tecnologias capazes de evitar a descarga elétrica durante o manuseio ou reparar alguma falha ou defeito no fabrico de bombas e motores  que estaria acarretando essa insegurança.
    No entanto, como essas mortes ocorrem no silêncio do campo, longe dos grandes centros e não têm forte repercussão na mídia, nem governo nem fabricante se comovem nem se movem.

     


     

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    Em 23/03/2013

     

    A hipocrisia da TV ao tratar da violência

     



    Por Sousa Neto - Indiscutivelmente, o Brasil é um dos países mais violentos do mundo, superando até nações em constante conflito externo e interno, a exemplo de Iraque, Israel, Afeganistão e alguns povos africanos.
    O número de assassinatos e mortes no trânsito por aqui, que chega a quase 90 mil pessoas por ano, é tão absurdo quanto preocupante. As causas da gritante violência nacional vão além das que costumeiramente são discutidas, entre as quais a miséria que assola as periferias dos grandes centros, o campo e as pequenas cidades; o alcoolismo, as drogas, a desqualificação do ensino público; a caduquice do código penal, a ineficiência da polícia, a morosidade da Justiça e a impunidade.
    Essas, seguramente, podem ser apontadas como as principais causas da tendência violenta de parte da população brasileira, mas não são as únicas: há outras de cunho subjetivo e cultural que nos pulveriza ainda na infância com seu veneno poderoso, toxina trazida até nós pelo maior veículo de comunicação do país. Se, por um lado, a televisão comercial prega a paz; por outro, muito contribui para que a cultura da violência se enraíze cada vez mais no Brasil. É uma retórica hipócrita: faço o que eu digo, mas não faça o que eu mostro.
    A televisão muito critica os governos, Justiça e legislativo pela violência, mas não faz a sua parte para que se estabeleça uma cultura de paz no país; ao contrário, difunde a ideia da violência, através de filmes, desenhos animados, programas policiais, lutas reais e sanguinárias e séries que exibe como algo divertido, comum, normal, aceitável socialmente. Sangue, trucidamentos e brutalidades de todos os tipos tornaram-se o entretenimento preferido do público televisivo nacional desde 40 anos atrás. Um gosto que foi se apurando ao longo dos anos e que hoje, graças aos muitos sabores tecnológicos, esbalda-se e sacia-se plenamente nos videogames sanguinolentos e nos jogos de rede violentíssimos, onde o herói é sempre aquele que mata mais, que mais derrama sangue dos rivais. E é admirado por isso.
    Do desenho animado na sala de casa, aparentemente ingênuo, mas à base de muito disparo e pancada, a uma sala de internet, a criança brasileira cresce vendo morte e sangue como algo divertido, comum, normal, atrativo. Influenciados pelos sucessos da TV e da internet, as fábricas de diversões produzem armas de brinquedo semelhantes às usadas pelos personagens televisivos e internáuticos. E o que era apenas ficção começa a se materializar em brincadeiras e, depois, pela indução subconscientemente ou conscientemente, a coisa fica séria e grave: tudo vira realidade, uma realidade triste, lastimável, que não diverte, mas que comove, que lacrimeja, que aterroriza. Nesse filme real, os personagens morrem verdadeiramente: não são figuras animadas e indestrutíveis, nem heróis invencíveis. Morrem, sim, porque são gente de carne e osso, e tem filhos e tem pais, e tem família para sofrer e chorar sua partida eterna.
    Diante disso, algumas questões precisam ser levantadas: por que a televisão comercial brasileira, que detém 95% da audiência, monta sua programação infantil com base em desenhos animados onde a violência, o confronto físico, o conflito moral, o ódio incontrolável, a vingança a todo custo fazem o enredo? Por que incutir a desregra social como entretenimento para criança? Por que nossa televisão comercial condena tanto as drogas, mas a cada 30 segundos exibe uma bela e cara propaganda de cerveja, mesmo sabendo que o álcool é causa de grande parte da violência dentro e fora de casa, na rua e no trânsito? Por que a TV brasileira importa tanta porcaria americana? Somente para contaminar nossas crianças? Lá, no paraíso americano, de vez em quando uma pessoa invade uma sala de cinema ou escola e fuzila todo mundo, como se fosse um dos heróis de Hollywood. Já aqui, no Brasil, depósito do lixo cultural americano, essa neurose é coletiva e acentuada pelo subdesenvolvimento educacional e a miséria. Por que os filmes da Globo, Record, Bandeirantes e SBT dirigidos aos jovens e adultos precisam ser grandes chacinas? Que mensagem positiva ou lição de vida Van Damme, Rambo, Jack Bauer e companhia podem despertar na juventude brasileira? O público gosta de ver sangue, respondem eles. Gosta ou foi influenciado a gostar? Perguntamos nós.
    O problema da televisão brasileira, que mostra a violência como arte cinematográfica, que induz o jovem ao consumo de álcool em seus reclames publicitários e que transforma bandidos em celebridades em seus programas policiais, é a falta de uma autocrítica, de uma autoavaliação, e de regulamentação também. Nessa corrida desesperada e desenfreada por audiência e faturamento, a TV comercial está esquecendo de sua responsabilidade social, como veículo de comunicação e concessão pública, que é a defesa dos valores humanitários, educacionais, morais e familiares e de uma cultura sadia em todos os aspectos das relações humanas.
     

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    Em 13/12/2012

     

    Brasil presta homenagens a Luiz Gonzaga no centenário do seu nascimento

     



    O Brasil inteiro está prestando merecidas homenagens a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que, se vivo estivesse, o pernambucano de Exu estaria completando 100 anos de vida nesta quinta-feira, 13.
    Cantando acompanhado de sua inseparável sanfona, o cantador, compositor e sanfoneiro levou a realidade do Nordeste aos quatro cantos do Brasil, denunciando as omissões dos governos com a região e o sofrimento do povo com a seca. Mas também cantou as alegrias do povo nordestino, o tempo de fartura, as festas juninas embaladas pelo forró, o xaxado, o baião.
    Como artista, foi um dos mais importantes nomes da música popular brasileira, sendo admirado por grandes nomes do meio musical, tais como Caetano Veloso, Dorival Caymmy, Gilberto Gil, Raul Seixas e Elba Ramalho, com quem fez duetos. Percorreu todo o país com sua sanfona como companheira inseparável, e conheceu cada palmo do Nordeste, inclusive passou por Itaporanga muitas vezes na década de 60, mas sua música, no entanto, correu além das fronteiras nacionais.
    Durante a carreira, teve 61 parceiros musicais, com quem produziu ou de quem gravou inúmeros sucessos: Humberto Teixeira e Zé Dantas foram os principais. Asa Branca, que aborda a temática da seca no Nordeste, é uma das pérolas que ele compôs com Humberto Teixeira. Com Zé Dantas, compôs, entre outras, a música Cintura Fina, que exalta a beleza da mulher.
    O acervo musical de Luiz Gonzaga é muito grande. Ele gravou 625 músicas em 266 discos, que estão assim divididos: 125 em 78 rotações, 79 LPs de 12 polegadas, 6 LPs de 10 polegadas, 41 compactos simples e duplos de 45 e 33 rpm; e 15 LPs de coletâneas.
    Das 625 músicas gravadas pelo artista, 53 são de sua autoria, 243 são em parceria e 329 são, exclusivamente, de outros autores. Intérprete de sucessos imortais, muitos outros cantores gravaram Gonzagão, a exemplo de Geraldo Vandré, que se rendeu a Asa Branca.
    Pais e local de nascimento - Luiz Gonzaga era filho de Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, e nasceu no dia 13 de dezembro de 1912 na fazenda Caiçara, povoado de Araripe, município de Exu, onde está sendo realizada várias homenagens pelo centenário de nascimento do filho ilustre.
    O site de pesquisas Google também homenageou o Rei do Baião na data de seu centenário. Quem entrar na página do Google nesta quinta-feira vai encontrar um Doodle (versão divertida do logotipo do Google) em homenagem ao sanfoneiro nordestino, que faleceu em 2 de agosto de 1989.
    Filme – Um filme também foi lançado em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga. De pai para filho conta a relação conturbada de Gonzagão com o também falecido cantor Gonzaguinha, um de seus filhos adotivos.

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