Curto & Grosso
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    Em 26/07/2019

     

    Os impactos do governo Bolsonaro na economia de Itaporanga

     



                 O setor de comércio e serviço, que é a força motriz da economia de Itaporanga, está retraído: os negócios caíram muito em todas as áreas e não há expectativa de recuperação tão cedo, ao contrário: os cortes em benefícios sociais e previdenciários que o governo Bolsonaro tem realizado, o que já é em parte a causa da queda na circulação de dinheiro, tendem a agravar a situação.

                Muita gente está ficando sem renda e isso impacta a economia drasticamente. O pente-fino nos benefícios da Balsa Família e, principamente, da Previdência, que de Temer para cá já cortou cerca de um milhão de benefícios e, como quer o atual governo, deve passar a faca em mais dois milhões, o que reduz ainda mais o consumo e, consequentemente, a demanda do comércio, dos serviços e da indústria, não é o único problema: o governo agora resolveu infringir a própria Constituição e pagar a apenas meio salário mínimo a algumas categorias de beneficiários da Previdência, ou seja, é também menos dinheiro na economia.

                Além de dificultar o acesso à aposentadoria rural e ao amparo assistencial para idosos e deficientes sem renda e tirar renda e benefícios de muita gente em função de medidas provisórias implementadas a partir de janeiro, o governo agrava um outro problema da economia: o desemprego, em função de medidas impensadas em sua política externa, reduzindo as exportações e os investimentos estrangeiros no país. Depois de comprar briga com o mundo árabe, um dos nossos maiores exportadores, o recente desentendimento diplomático com o Iran, também parceiro do nosso agronegócio, pode agravar ainda mais nossa situação econômica.

                Com os negócios globalizados, o que se decide do outro lado do mundo pode afetar nosso pé de serra qui, onde a taxa de desemprego superar em muito o índice nacional e a economia ainda é muito dependente do setor público e previdenciário.

     

     

     

     

     

     

     

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    Em 19/05/2019

     

    Um tiro no conhecimento e o estampido das ruas

     



             Bolsonaro fez uma campanha falando em arma e bala, e parece que estar cumprindo bem seus compromissos eleitorais: nas periferias dos grandes centros, os pobres e pretos têm morrido aos montes pelas balas oficiais e agora, por decreto, quer armar todo mundo, quando deveria era amar todo mundo.

                Como sua caneta foi sempre uma pistola, agora apontou seu revólver calibrado contra o ensino superior, mas preferiu usar a faca e cortou dinheiro das universidades. Sem elas, que podem se definhar por tão surpreendente facada oficial, não tem professores para o ensino básico, não tem médicos, não tem engenheiros, não tem cientistas, não tem tecnologia, não tem conhecimento. Eis aí o fundo do poço.

                Esses disparos contra a educação, ou seja, contra o próprio futuro do país, geraram grandes estampidos nas ruas: milhões saíram em protesto e são apenas os primeiros passos das insatisfações de grande parte da população com o novo governo, que já parece caducar.

                O ex-presidente Lula disse que o país está sendo governado por um bando de loucos; em resposta, Bolsonaro argumentou que é melhor ser louco do que cachaceiro. Quando eles atacam-se é que parecem ter alguma razão. De fato, da insanidade aguda, motivada por algum pileque, à doidiça crônica, nascida do destempero mental, o Brasil, em muitos momentos, experimentou maluquices e embriaguez em seu governo, sem querer desrespeitar os ébrios do Bar de Tota nem os nossos irmãos do Juliano Moreira.

                No entanto, se hoje os cachaceiros estão presos por algum suposto pecado, sobraram-nos os malucos e estes, armados com canetas dentro dos gabinetes oficiais, estão botando para lascar: é doidiça demais para pouco doido.

                É insano cortarem dinheiro das universidades públicas, quando o país precisa é de mais investimentos em ciência, tecnologia e formação profissional, inclusive no magistério e na medicina. É insano quererem acabar com a Filosofia e Sociologia, ciências da civilidade, da razão e cidadania.

               É leseira e maldade aumentarem em cinco anos, de uma canetada só, a idade mínima para uma mulher do campo requerer uma aposentadoria de um mísero salário mínimo. É maldade e leseira também reduzirem para 400 reais o tostão dos indigentes e aumentarem de 15 para 20 anos o tempo mínimo de contribuição para o trabalhador ter direito a uma aposentadoria de um mínimo em um país com tantos desempregados e trabalhadores informais.

              É maluquice dizer que é cristão e declarar idolatria ao povo que não reconhece Cristo como Filho de Deus enviado à Terra, embora este também não seja motivo para declarar ódio aos judeus, pois, independentemente de religião, os israelenses, como qualquer outra comunidade humana, precisam ser respeitados, não idolatrados e nem querem isso. Não é sano um brasileiro presidente declarar amor aos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, chamar de idiotas os brasileiros que estão nas ruas gritando por educação.

                É doidiça dizer que querem acabar com a violência, mas darem apoio às milícias, grupos armados e sanguinários que se nutrem de dinheiro e crime.

             É maluquice dizer que querem acabar com a criminalidade e armarem uma população que já briga por tudo e mata por nada: são mais de 60 mil almas todo ano.

              É insano dizer que as cadeias são escolas do crime e quererem matricular meninos e meninas de 16 anos nessas universidades do delito, quando há caminhos eficazes contra a marginalidade infanto-juvenil.

                É doidiça ter um país com milhões de desempregados e não ter nenhuma política de retomada do crescimento econômico, ao contrário, reduzir os gastos públicos certamente vai piorar a situação.  

               É maluquice quererem transformar o Brasil em uma teocracia, onde o breu da ignorância e do ódio, o ataque à ciência e o falso moralismo imperaram e somam-se à opressão e repressão, especialmente contra os grupos sociais mais vulneráveis: as mulheres, negros, egressos do sistema penitenciário, populaçao de rua, pobres e homossexuais.

                O ódio, por sua própria natureza, é insano e demolidor. As leis humanas e o cristianismo elegeram a tolerância e o respeito como fundamentos para a civilidade e contemporaneidade. Os que dizem ser cristãos e legalistas, mas agem de maneira distinta, correm o risco de tropeçarem nas próprias pernas.

     

     

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    Em 05/05/2019

     

    Entre loucos e cachaceiros

     



               O ex-presidente Lula disse que o Brasil está sendo governado por um bando de loucos; em resposta, Bolsonaro argumentou que é melhor ser louco do que cachaceiro. Quando eles atacam-se é que parecem ter alguma razão. De fato, da insanidade aguda, motivada por algum pileque, à doidiça crônica, nascida do destempero mental, o Brasil, em muitos momentos, experimentou maluquices e embriaguez em seu governo, sem querer desrespeitar os ébrios do Bar de Tota nem os nossos irmãos do Juliano Moreira.

                No entanto, se hoje os cachaceiros estão presos por algum suposto pecado, sobraram-nos os malucos e estes, armados com canetas dentro dos gabinetes oficiais, estão botando para lascar: é doidiça demais para pouco doido.

                É insano cortarem dinheiro das universidades públicas, quando o país precisa é de mais investimentos em ciência, tecnologia e formação profissional, inclusive no magistério e na medicina. É insano quererem acabar com a Filosofia e Sociologia, ciências da civilidade, da razão e cidadania.

               É leseira e maldade aumentarem em cinco anos, de uma canetada só, a idade mínima para uma mulher do campo requerer uma aposentadoria de um mísero salário mínimo. É maldade e leseira também reduzirem para 400 reais o tostão dos indigentes.

              É maluquice dizer que é cristão e declarar idolatria ao povo que não reconhece Cristo como Filho de Deus enviado à Terra, embora este também não seja motivo para declarar ódio aos judeus, pois, independentemente de religião, os israelenses, como qualquer outra comunidade humana, precisam ser respeitados, não idolatrados e nem querem isso.

                É doidiça dizer que querem acabar com a violência, mas darem apoio às milícias, grupos armados e sanguinários que se nutrem de dinheiro e crime.

                É maluquice dizer que querem acabar com a criminalidade e armarem uma população que já briga por tudo e mata por nada: são mais de 60 mil almas todo ano.

                É insano dizer que as cadeias são escolas do crime e quererem matricular meninos e meninas de 16 anos nessas universidades do delito, quando há caminhos eficazes contra a marginalidade infanto-juvenil.

                É doidiça ter um país com milhões de desempregados e não ter nenhuma política de retomada do crescimento econômico, ao contrário, reduzir os gastos públicos certamente vai piorar a situação.  

               É maluquice quererem transformar o Brasil em uma teocracia, onde o breu da ignorância e do ódio, o ataque à ciência e o falso moralismo imperaram e somam-se à opressão e repressão, especialmente contra os grupos sociais mais vulneráveis: as mulheres, negros, egressos do sistema penitenciário, populaçao de rua, pobres e homossexuais.

                O ódio, por sua própria natureza, é insano e demolidor. As leis humanas e o cristianismo elegeram a tolerância e o respeito como fundamentos para a civilidade e contemporaneidade. Os que dizem ser cristãos e legalistas, mas agem de maneira distinta, correm o risco de tropeçarem nas próprias pernas.

     

     

     

     

     

     

     

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    Em 18/03/2019

     

    Se a ex-primeira-ministra de Coutinho abrir a boca...

     



               Uma das peças na engrenagem da indústria de desvio de dinheiro da saúde da Paraíba, a ex-todo-poderosa secretária da gestão Coutinho, Livânia Farias, vive momentos de via crucis na operação Calvário. Na cadeia, ela tem dois caminhos: responder sozinha pela sangria nos cofres públicos ou dá uma de Judas pelas moedas da liberdade.

                Se abrir a boca, despenca metade do céu. Um lobo disfarçado de cordeiro: as máscaras de Coutinho começam a cair e podem terminar na lama. Neste cenário, parece que Barrabás não terá perdão.

                Quem não tem pecado que atire a primeira pedra, sim, mas parece que a turma do Coutinho foi longe demais. É muita avareza para pouca cristandade. Enquanto o dinheiro público irrigava o luxo e a eleição, o povo carregava a cruz pesada da saúde pública. Quantas crianças, mulheres e idosos não foram crucificados daqui para a capital por falta de condições hospitalares mínimas. Nós, aqui neste Vale de lágrimas, sabemos muito bem o que é morrer à míngua.

                Mas é bom que se diga: se não fosse o Ministério Público do Rio de Janeiro descobrir os maus feitos da Cruz Vermelha de lá e de cá, tudo na Paraíba continuaria sendo um silêncio sepulcral.

     

     

     

     

     

     

     

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    Em 19/01/2019

     

    MP do presidente cria ainda mais dificuldade ao trabalhador rural e liquida sua representação sindical

     



                       Se já era difícil para o trabalhador rural conseguir acesso à aposentadoria, agora a coisa ficou ainda mais complicada, especialmente para os trabalhadores sem propriedade rural, que são a maioria: a Medida Provisória assinada recentemente pelo presidente Bolsonaro determina que os documentos emitidos pelos sindicatos que representam os trabalhadores do campo, chamados de segurados especiais, não servirão mais como prova para a requisição de aposentadoria.

                Na prática, isso significa a quase morte da representação sindical dos trabalhadores do campo na questão previdenciária e também tira a importância dos núcleos de associações rurais, as chamadas comunidades rurais.

                     Se, historicamente, os trabalhadores rurais sem terra de Itaporanga e de todo o interior nordestino sempre sofreram com omissão e desamparo governamentais, agora parece que ficarão ainda mais sozinhos na luta pela aposentadoria, dependendo, a partir da nova MP, de comprovação documental homologada por um órgão oficial desconhecido, distante e certamente insensível à dura vida rural nordestina dos agricultores sem um pedaço de chão. 

     

     

     

     

     

     

     

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    Em 10/12/2018

     

    Questão de vida ou morte: uma obra que precisa sair no próximo governo

     



               Há momentos que um hospital é a instituição mais importante de uma sociedade, porque ele pode ser a diferença entre vida e morte. Em Itaporanga, quando alguém, sendo pobre ou rico, sofre um mal súbito, é lesionado ou adoece gravemente, o primeiro caminho é o hospital José Gomes, único da cidade e único para muitas cidades regioinais.

                No entanto, quantos já não morreram ou precisaram ser mandados para fora por que o hospital não tinha e não tem a estrutura clínica e os equipamentos médicos necessários?

                Depois de muita cobrança da sociedade e tantos óbitos registrados nos últimos tempos, o próximo governo estadual não poderá ser tão negligente e irresponsável foi o Coutinho em relação ao nosso hospital. Esperamos que João não seja tão omisso quanto foi o seu padrinho político, principalmente com uma cidade e um Vale que sempre foram tão favoráveis nas urnas para com Ricardo e seus afilhados.

               É preciso reformar, ampliar e equipar o hospital de Itaporanga com urgência, senhor João! Chega de canalhice senhor Azevedo/Coutinho. Esse povo que devota e idolatra tanto o ricardismo não pode continuar morrendo, inclusive prematuramente, por falta de um hospital que preste.  Agora, com o novo governo, embora seja ele uma sequência e consequência do atual, e com um deputado estadual eleito por Itaporanga e região, esperamos que a tão esperada melhoria do hospital possa ocontecer. Até porque ninguém aguenta mais tanto descaso e mortes.

     

     

     

     

     

     

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    Em 04/08/2018

     

    Violência institucional: um câncer que afeta todos e poucos dão conta

     



             Coluna Curto & GrossoTodos sabem e sentem que o Brasil é um país violento, mas a pior violência que enfrentamos, e muitos nem percebem, é a violência institucional. Esse tipo de violação é o pior porque infecciona a democracia (alicerce de qualquer sociedade civilizada) e afeta direitos e a dignidade humana, sendo a causa-mãe de outros gêneros de violência, especialmente aqueles encontrados nas ruas e chamados de “violência comum”.

                A seguir um retrato resumido de um câncer social que nos afeta enquanto sociedade sem que o notemos, mesmo sentindo seus efeitos: uma violência produzida por agentes e intituições públicas que são custeados pelos impostos dos cidadãos e deveriam fazer o bem, mas, muitas vezes, fazem o mal e geram o mal.

              São os abusos e violações do poder: a escola que não ensina; o hospital que não cura ou não atende; o posto de saúde que não funciona; a cultura sem arte; uma polícia que grita e agride mesmo sem razão; uma obra pública deixada pela metade; um esgoto que corre na porta de casa; uma família sem moradia; um conselho tutelar despreparado; um legislativo que não produz; o agricultor sem terra; um sistema judiciário arrogante; bancos avarentos além da conta; os desvios nas Prefeituras; as carências nas periferias; as prisões descabidas; a assistência social que judicializa e policializa o que poderia resolver com afeto e apoio; as balas oficiais que furam casebres e corações de moços e moças; ruas cobertas de poeira ou lama; a água que falta; a humilhação que sobra; as verbas públicas que desaparecem; meninos sem esperança; a fome a mostrar a cara; os desgovernos a mostrarem a face.  

                Toda essa brutalidade institucional nos últimos 50 anos construiu o Brasil que vivemos hoje: o país dos assassinatos, dos roubos, do tráfico, das milícias, da homofobia, do feminicídio, dos sequestros, estupros, estelionatos, lulismos, bolsonarismos. Enquanto persistirem as omissões e abusos do poder, a sociedade não mudará: continuará virulenta e violenta.

     

     

     

     

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    Em 26/05/2018

     

    O combustível da insatisfação e um incêndio a consumir todos nós

     



              O combustível que levou milhões às ruas em 2013 contra o governo Dilma é o mesmo que agora, bem mais agravado, alimenta a paralisia das estradas contra a gestão Temer, deixando o país no buraco. Mais do que os centavos de aumento nas passagens urbanas naquele tempo e dos muitos centavos a mais no preço do diesel agora, o que move toda essa profunda insatisfação popular é a completa falta de rumo deste país nos últimos temos: entre os buracos da corrupção, as vias dolorosas da falta de trabalho e do baixo poder aquisitivo de quem está trabalhando, a carga pesada dos impostos e o fim do caminho para os serviços públicos, notadamente a saúde e a segurança, parece não haver saida: não há quem aguente mais e essa brutalização das massas pelos seus próprios governos é um risco à cidadania e à civilidade.

                A exemplo do que ocorreu em 2013, o movimento agora não tem bandeira partidária nem sindical, há uma negação das instituições. O povo, no caso agora os caminhoneiros, pipeiros, motoristas de vans, organizam-se espontaneamente e conquistam a solidariedade popular ao longo das estradas. O problema é que este tipo de movimento, sem comando e sem controle, guiado apenas pelos áudios de whatsapp de muitos líderes, mas, ao mesmo tempo, sem lideranças, tendem ao radicalismo, e essa ultrapassagem de limites é um perigo para todos e à própria legalidade democrática. Agora mesmo o país está completamente desabastecido: de banana a insumos hospitalares, tudo falta. O governo assinou um compromisso de reduzir e congelar o diesel, mas não tem conseguido desmobilizar a greve e o bloqueio: mesmo depois da ameaça de usar a força para a desobstrução das rodovias e apropriação das cargas paradas. E mesmo que consiga agora, o prejuízo já está consumado, afetando a economia e a própria arrecadação fiscal em bilhões de reais. No final das contas, o povo é que paga tudo e por tudo.

                Esse novo modelo de mobilização popular, engendrado e mantido pelas redes socais, é um fenômeno da contemporaneidade. Esses tempos de internet ainda não foram bem compreendidos pelos governos nem pelas ciências sociais, mas, no cotidiano, profundas mudanças e revoluções ocorrem. A Primavera Árabe, que destituiu governos no Oriente, e a Ocupação de Wall Street (coração financeiro americano), movimento contra a corrupção política, a ganancia dos grandes grupos financeiros e as desigualdades sociais, são exemplo recentes da mobilização espontânea da sociedade. Mas, além dessas grandes mobilizações coletivas, há as inquietudes populares individualizadas diariamente nas redes: agora cada um tem a condição de mostrar sua revolta com algum governo e ser compartilhado. De um gera alguns e, em pouco tempo, tudo isso é materializado desde pequenos protestos de rua até grandes revoluções nacionais.

                O problema é que, com a tendência de radicalização desses movimentos, a reação dos governos também é de intolerância sob o argumento de que precisa manter a legalidade e a ordem. Nesse fogo cruzado, a população, que já é a grande vitima de tudo, torna-se vítima mais uma vez. Hoje é preciso que os caminhoneiros, que conquistaram um compromisso do governo, deem uma trégua no movimento para não perderam o que têm de mais importante, que é o apoio popular. Essa intolerância e intransigência, diante de um país à beira de um caos, não os levarão a nada ou pior: o povo pode começar a dar razão a esse governo, apesar de tão contestado.

                O fato é que o problema dos combustíveis no Brasil, apesar de explodir agora, tem parte de suas raízes nos governos anteriores. Hoje mais de uma centena de pessoas está condenada e algumas das quais presas por furto à Petrobrás, além da irresponsabilidade de gestões passadas de manter preços dos combustíveis baixos artificialmente, ou seja, arcando com custos elevados de importação e vendendo barato, tudo para alimentar a boa popularidade de governos e partidos, mas há custo de um prejuízo grande aos cofres públicos. O lixo sob o tapete de tantos anos um dia vai feder.

                   Agora, para tentar cobrir o rombo da estatal e agradar e manter o lucro dos seus acionistas, muitos dos quis estrangeiros, o governo atual rompeu com o passado e adotou uma política de preços atrelada à cotação do barril de petróleo no mercado internacional, mas, com as oscilações do custo do petróleo para cima, os preços dos combustíveis nacionais também se elevaram muito. Foram dezenas de aumentos em semanas, o que revoltou à população, especialmente os transportadores ao verem o ganho do frete cair em razão da subida do diesel. Para piorar, como houve uma recente elevação do valor do dólar e grande parte dos combustíveis que abastece o Brasil é importada, os preços dispararam ainda mais. Claro que o governo não poderia repetir a mesma política suicida dos governos anteriores, segurando indevidamente os preços através de um subsídio indevido, mas também não poderia permitir o que vem ocorrendo: as altas constates da gasolina e do óleo diesel, gerando um ambiente de instabilidade e afetando mais drasticamente o mercado do frete. O país é produtor de petróleo, mas não consegue refinar tudo o que consome, necessitando do mercado externo, de quem continua dependente para mover sua frota.

                Desde o ano passado, os caminhoneiros ameaçavam parar, mas o governo, fraco e omisso, fez vistas grossas. O resultado é o que estamos colhendo agora: radicalismo dos dois lados e o povo no meio do caos, sofrendo qual burro que empanca. Mas há uma coisa que é preciso dizer e talvez seja a mais importante para o consumidor entender: os combustíveis no Brasil não são caros, o que é caro são os impostos. O brasileiro paga quase 50% de tributos incidentes nos combustíveis. São impostos federais, a exemplo de Pis/Cofins/Cide, mas o principal deles é o ICMS, cobrado pelos estados, o mais elevado. Na Paraíba, exemplificando, a alíquota já era bastante alta, mas o governo estadual aumentou ainda mais esse percentual, que hoje é de 29%, mas finge não ter nada a ver com o problema.

                Além da avareza dos governos para arrecadar mais tributos a custo do sacrifício do povo, há também a esperteza de distribuidores e postos: os aumentos quando são anunciados mexem imediatamente com os preços, mas quando o governo anuncia queda, o consumidor não sente nenhuma redução nas bombas. Ganancia demais engasga, mas o pior é o que o maior entalo e entrava afeta é a goela do povo.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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    Em 08/04/2018

     

    Entre paixão e razão; entre mito e realidade

     



               Quando um homem se transforma em mito tudo em seu entorno se torna irrelevante, inclusive seu próprio discurso. Ninguém deve avaliar Lula pela sua fala, que é, em grande parte, deslocada da realidade, embora tenha sido essa retórica que, ao longo de 50 anos e casada a muitos fatos, o fez transmudar à condição de um quase santo para alguns milhões.

                Avaliem Lula pela sua grande biografia, incluindo aí as virtudes e contradições de sua passagem pelo poder, como quase todos os governantes, não por sua fala recheada de egoísmo político, porque em seu discurso ele busca uma promoção além da própria estatura humana e, por vezes, delira: ninguém presta, só eu presto; ninguém fala a verdade, só eu falo a verdade; todos têm pecado, só eu não tenho pecado; não ataco ninguém, mas todos me perseguem; ninguém contribuiu para o Brasil, só meu governo foi tudo; eu sou sempre vítima, e eles sempre algozes; tenho que estar acima de todos, porque todos estão abaixo de mim.

                Em uma sociedade menos passional e mais racional, a fala de Lula seria um atentado à sua própria reputação, mas não é o caso do Brasil, onde as paixões são o que desperta os exageros em seu favor e contra ele, fortalecendo ainda mais o mito. Por isso, crítica, condenação, prisão, acusação só fazem crescê-lo. Portanto, se você ataca Lula estará contribuindo para sua promoção mais do que aquele que o elogia. Sim, nada o afeta, nada o atinge a não ser para eternizá-lo ainda mais: “Já não sou um homem, sou uma ideia”, autoproclama-se o ex-presidente. A política e religião costumam revelar esses tipos porque são abastecidas por paixões.

                Os homens racionais e sensatos, mesmo sendo importantes para uma sociedade, não se tornam populistas e, ao contrário, suas ações são mais notadas do que eles próprios. Em um país sério e equilibrado, as instituições estão acima dos homens e dos mitos, mas, no Brasil, o poder é personificado, ou seja, tudo ocorre em torno de um líder carismático e populesco. Neste tipo de situação social, como é comum nas sociedades mais pobres e de baixo nível educacional,  os personalismos são os protagonistas e se sobrepõem às instituições, que não avançam nem se qualificam porque estão sequestradas pelos interesses populistas e escusos de quem governa e quer continuar governando.

                 O problema é que os homens passam, mas as instituições são eternas e fundamentais para o desenvolvimento de um país. Por isso, uma sociedade racional precisa se preocupar com suas instituições para que avancem e melhorem, e não transformar homens em semideuses, porque quase nunca é da verdade que nascem os mitos.

     

     

     

               

     

     

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    Em 17/08/2017

     

    Ao criar "nova polícia", Coutinho pode estar dando um tiro pela culatra

     



               A pretexto de enfrentar a criminalidade alarmante no estado, o governador Coutinho instituiu uma arma que pode ter efeito contrário. Ricardo está criando um monstro jurídico para a segurança pública: é uma espécie de guarda com características de polícia, um tipo de milícia oficial ou um paramilitarismo tupiniquim. A criação da "Guarda Militar Temporária" foi publicada nesta quinta-feira, 17, no Diário Oficial do Estado.

                Deverão ser recrutados em torno de dois mil homens. Eles serão armados e treinados e terão convivência direta com os quartéis, ou seja, serão integrados aos policiais militares, mas suas principais funções vão ser a guarda do sistema prisional, atividades burocráticas nas unidades militares e o trabalho ostensivo em eventos.

                O problema é que esses homens não terão estabilidade funcional, serão contratados temporariamente, residindo aí a primeira irregularidade, pois a Constituição proíbe o ingresso no serviço público sem o devido concurso. No entanto, este não é o problema mais grave: depois de seis ou doze meses atuando dentro da própria PM, armados, com táticas militares e com informações privilegiadas sobre o funcionamento da polícia, esses "guardas temporários" serão demitidos e, muitos deles, desempregados, poderão ser cooptados pelo crime organizado, pelo tráfico de droga ou por gente poderosa para atuar como milícia a serviço de interesses particulares e políticos.

                Se, mesmo com toda disciplina militar e estabilidade estatutária, muitos policiais já desregram, prejudicando a sociedade e aumentado a violência, imaginem pessoas que, de uma hora para outra, tornam-se policiais por algum processo seletivo duvidoso e, daqui a pouco, serão demitidas por não terem estabilidade. E se ferirem ou serem feridos; e se matarem ou serem mortos, que papel terá o estado na indenização de suas famílias ou de suas vítimas? Será que o estado assumirá esse ônus? É temerário e duvidoso.

               O que o governo deveria fazer era melhorar a qualificação dos atuais policiais militares, chamar o restante dos concursados do último certame e fazer concurso para garantir o ingresso de novos policiais, uma vez que a Paraíba necessita hoje de 18 mil PMs, e tem pouco mais da metade desse efetivo. O governador está criando cobra dentro de casa, mas não é da dele não, é da nossa.  

     

     

     

     

     

     

     

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    Em 11/07/2017

     

    Coutinho sem controle

     



                  O governador Ricardo Coutinho faz da Assembleia Legislativa uma extensão de sua cozinha, mas o povo é que termina frito. Ele, Sua Excelência, aumentou impostos e taxas o tanto que quis: ICMS, IPVA e outros foram às alturas. O paraibano, que é hoje o brasileiro mais tributado do país, sente isso na conta de luz, telefone, gás, no preço dos remédios, na renovação do emplacamento do carro. Um verdadeiro pacote de maldade fiscal contra o povo, e ainda fala mal de Temer.  

                    Apesar de arrecadando mais, Sua Excelência, o Coutinho, reduziu o dinheiro para os hospitais interioranos, matando muita gente; fechou centenas de escolas, acabando muitos futuros; e agora começa a privatizar a educação do estado sem discutir com ninguém, e ainda abre a boca para criticar as reformas de Temer. Falou mal da terceirização e foi o primeiro a implantá-la, aliás, já tinha feito isso bem antes em parte da rede estadual de saúde e agora também nas escolas.

                  Mas, partindo de Coutinho, parece que todos os pecados são perdoados, e crimes também, pois não é a Assembleia a única instituição que se ajoelhou perante Ricardo e sua ideologia de "faça o que eu digo, mas não faça o que faço".  E por que isso não repercute no estado?  Por outra razão ricardista: a maior parte da imprensa, do interior à capital, está comprada pelo dinheiro público para silenciar mesmo. Prevalece a impressão de que está tudo bem no estado, que está tudo andando bem, e "fora, Temer".

     

     

     

     

     

     

     

     

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    Em 27/04/2017

     

    Um ponto positivo da Reforma Trabalhista que o próprio trabalhador desconhece

     



              Não faz muito tempo que conversei com dois trabalhadores: um do serviço público e outro, de uma indústria têxtil.  Ambos reclamando que, todo ano, era descontado dos seus parcos salários um tal de imposto sindical. O dinheiro, que não é pouco, vai diretamente para um sindicato que eles nunca ouviram nem falar, não sabem onde está localizado e, muito menos, defende seus interesses e direitos trabalhistas.

                No Brasil, são milhões de trabalhares nesta situação, ou seja, dando o seu suor para alimentar sindicatos que não os representa.  A Constituição diz que ninguém está obrigado a se filiar a sindicato e muitos evitam a contribuição mensal, mas já o imposto sindical, como o próprio nome diz, é obrigatório. No entanto, esta imposição está prestes a acabar: é que a Reforma Trabalhista, já aprovada na Câmara Federal e que agora vai para o Senado, transforma o imposto em uma contribuição opcional. O trabalhador dá se quiser. Bom, positivo, democrático.

                Quem não está gostando nada disso são os sindicatos, muitos deles verdadeiras organizações criminosas e ricas. Não é raro ver entidades sindicais, daqui para Brasília, servindo aos seus dirigentes muito mais do que aos próprios trabalhadores. Esses dirigentes ganham prestígio, dinheiro e, muitas vezes, até cargos públicos ou benesses para favorecer aos patrões ou transformar seus sindicatos em instrumentos de defesa a determinados grupos políticos e partidários.  Não defendem os empregados; defendem seus próprios interesses pessoais e políticos.

                Com a Reforma em curso, muitos sindicatos estão apreensivos pelas perdas financeiras que vão ter e passaram a manipular os trabalhadores contra o projeto sem explicar profundamente e com seriedade quais as mudanças propostas positivas e negativas. Há inúmeras mentiras correndo nas redes sociais e nos meios de comunicação sobre a Reforma, que, no geral, tem não apenas um, mas alguns pontos positivos para o trabalhador, a exemplo do acordado sobre o legislado, evitando a judicialização, e a regulamentação de novas relações de trabalho, que vieram com os avanços tecnológicos.

               O sindicalismo é necessário na democracia, e há muitos sindicatos sérios, mas há muita promiscuidade também nesse meio. Representando bem o trabalhador, os sindicatos vão pedir por direito e ter com certeza o apoio financeiro dos seus associados sem a necessidade do instrumento da imposição.

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    Em 22/04/2017

     

    Eu já sabia...

     



                   E quem não sabia? Todo mundo já sabia: nenhuma surpresa nos novos capítulos da Lava-Jato. A novela da podridão e promiscuidade dos bastidores do poder, agora desnuda pelas delações e mostrada em cores e frieza pela TV, sempre deu sinais: seu cheiro fétido sempre esteve vistoso nas campanhas eleitorais, e todos sabiam. Sabiam, sim, dessa relação escusa entre poder político e o capital privado.

                    Vinda da corrupção nas obras públicas, a propina passa a alimentar outro modelo de corrupção: a eleitoral. O dinheirão que movimenta as campanhas milionárias de prefeitos, deputados, senadores, governadores e do presidente da República vem de onde? Se não das obras inacabadas, superfaturadas ou mal feitas ou nunca feitas. Uma Lava-Jato só é pouco para o Brasil.

                    Ninguém é ingênuo, todos sabiam que essa dinheirama toda nas campanhas eleitorais tinha um preço alto para a sociedade, gerando um circulo vicioso. Todos sabiam, aliás, todos não: a Justiça Eleitoral, os Tribunais de Contas, as Controladorias não sabiam, coitados.  Sim! Lula, Dilma e Aércio e Alckmin também não sabiam, pobrizinhos.

                    No próximo ano, tempo de eleição, o eleitor será o juiz de todas essas coisas e somente ele pode passar este país a limpo pelo verectido do voto, mas, não acontecendo isso, é o fim: nem a esperança restará por aqui.

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    Em 17/01/2017

     

    Os criminosos engravatados “cuidando” dos criminosos descamisados. Vejam no que deu...

     



               A verdadeira causa da crise penitenciária brasileira, que já tem muitas décadas e incontáveis vítimas, não são nem nunca foram as ditas facções criminosas nem os celulares, drogas e armas dentro do sistema carcerário. Isso é tão somente consequência. A causa primária do caos é outra e está fora da cadeia, mas poucos sabem  e quase ninguém comenta. A dita grande mídia não reflete o assunto com profundidade por ser ignorante e os gestores públicos iludem a opinião pública: mentem e tergiversam. Ministério Público e Tribunais de Contas também são enganados ou fingem ser.

                No Brasil, grande parte das famílias sobrevive com apenas um salário mínimo e, muitas delas, com até menos do que isso. Diante dessa realidade da maioria do nosso povo, surge um questionamento sobre o que dizem os governos em relação aos custos dos presídios: os dados oficiais mostram que cada preso, dependendo do estado onde se encontra, custa, em média mensal,  2,7 mil reais, 3 mil, 4 mil e até quase 5 mil reais. Mentira. Todos sabem ou deveriam saber, por uma questão lógica, que todo esse dinheiro não chega ao sistema penitenciário. A maior parte desses recursos é desviada para o bolso da corrupção nos governos estaduais, inclusive na Paraíba, Rio Grande do Norte, Amazonas, Roraima, Minas, Rio de Janeiro e em muitos outros estados.

                Pergunto: como pode um preso que passa um mês todo comendo lavagem (porque isso é o que servem na maior parte das cadeias e presídios) custar 3 ou 4 mil reais por mês? Mesmo que o preso pagasse aluguel, comesse bem, comprasse roupa e vivesse em boas condições de higiene e saúde não custaria tão alto. O problema é que os criminosos engravatados estão “cuidando” dos criminosos descamisados. E em quem a sociedade e a mídia vão acreditar? Claro que é no colarinho branco.

               Se todo esse dinheiro que eles dizem gastar com os presidiários fosse, de fato, destinado às unidades prisionais, nosso sistema carcerário seria maravilhoso e cumpriria seu papel de garantir a segurança, a dignidade e a ressocialização do preso. Mas a maior parte dos recursos é tragada pela corrupção, e crises como esta é a oportunidade para os governadores receberem mais dinheiro e rechearem ainda mais seus próprios bisacos. Eles superfaturam as construções dos presídios e, depois, passarão a ganhar também com cada encarcerado: um presidiário não custa mais do que 500 reais hoje, porque muitos nem água para beber têm, mas, na prestação de contas dos governos, custam milhares de reais. Uma mentira que quase todos acreditam, inclusive, quem deveria combater os desvios do dinheiro público.

                Querer atribuir a facções criminosas o problema dos presídios é uma ingenuidade e é exatamente o que os governos querem: desviar a atenção do problema maior, que é a corrupção. Claro que há dentro das unidades prisionais grupos rivais e muitos trucidamentos, inclusive é assim que os internos tentam despertar a atenção social,  mas nada de facções organizadas e perigosíssimas como os gestores públicos tentam transmitir à sociedade, talvez para esconder os verdadeiros bandidos responsáveis pelo problema, mas que esses, travestidos de gestores públicos, estão do lado de fora, vivendo luxuosamente à custa do dinheiro que era para resolver a questão carcerária.

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    Em 08/12/2016

     

    Uma injustiça com o Cabaré de Rosinha

     



               Por Sousa Neto - Troquei o título deste escrito e também grande parte do texto instantes antes de publicá-lo e não preciso revelar o apagado, mas dá apenas uma justificativa: a mudança foi pela razão de ter concluido que não é justo comparar a Câmara Federal com o Cabaré de Rosinha, porque neste ambiente há, pelo menos, sinceridade.

                Quem entra no Cabaré de Rosinha já sabe o que vai encontrar lá dentro, mas, na Câmara, você sempre se surpreende e se decepciona. Pelas madrugadas, todos sempre sabem o que acontece no Cabaré de Rosinha, mas é nas madrugadas silenciosas e misteriosas da Câmara que os interesses do povo costumam ser estuprados.

                 Além do mais, o citado cabaré parece representar bem melhor a predominância racial e social brasileira: a maioria das que lá se fixam e dos que lá passam são pretos e pobres egressos de famílias de baixa condição ou sem origem familiar. Na Câmara não, a grande maioria dos seus ocupantes são homens brancos, ricos e filhos de oligarquias políticas poderosas em seus estados, algumas delas arraigadas nesta Paraíba.

                Outra coisa: é certo que as mulheres de Rosinha vendem o próprio corpo aos prazeres alheios, mas o fazem para matar a fome e se manterem vestidas e vivas; mas, na Câmara, a prostituição é de verdade, pois os deputados vendem é sua própria consciência na cama de episódios como o Mensalão, e banqueiros, agroindustriais e empreiteiros também gozam bastante.  

                É bom também dizer que, em Rosinha, há mais ordem e decência. As meninas não costumam furtar os clientes (nenhum caso foi registrado até hoje), mas quem delas o fizer será duramente penalizada e não retornará ao ambiente. Na Câmara é diferente: eles furtam o contribuinte pelas propinas oriundas de superfaturamentos de obras e serviços públicos, como no caso do Petrolão, mas raramente são pegos e, quando são, quase nada acontece e, no próximo pleito eleitoral, retornarão ao recinto legislativo reeleitos e ainda mais fortificados.

                Não há dúvidas de que, no Cabaré de Rosinha, a intensa atividade corporal e culinária produz um ambiente, por vezes, sujo, mas nada que um bom desinfetante não resolva; já na Câmara, por mais que a Lava-Jato tente, parece não conseguir limpar tanta podridão.

                 Se por acaso, uma das meninas de Rosinha ou um dos seus clientes se envolverem em qualquer moído bobo e, intimados a um "juizeco", não comparecerem, é cadeia certa, mas, no Congresso, ordem do Supremo não costuma ser respeitada e o réu sai ainda mais vitorioso e superioso.

                É fato que as garotas de Rosinha estão lá porque não tiveram uma outra oportunidade pela falta de instrução ou degeneração familiar e precisaram fugir de uma quase escravidão nas cozinha ricas; enquanto muitos na Câmara não precisaram de nenhum esforço para ter uma vida luxuosa, até porque o primeiro emprego dos filhotes das oligarquias foi exatamente o cargo de deputado federal comprado nas urnas por sua família.

                  Dos que estão hoje na Câmara, quase todos mereceriam estar na prisão; dos que estão hoje na cadeia pública, nem todos são merecedores do cárcere, pois a marginalidade e o consequente crime vieram pela falta de oportunidade, educação e moradia. Talvez os principais ladrões estejam mesmo dentro do parlamento, porque, mesmo ricos, continuam furtando os cofres públicos e criando novos marginais pelos relentos noturnos de nossa juventude vulnerável.  

                Mas o que esses figurões da política querem são as cadeias cada vez mais cheias de injustiças e a Câmara cada vez mais cheias de privilégios, tanto que aprovaram prisão para meninos e meninas de 16 anos marginalizados, mas se negam a aprovar leis mais dura para punir os que furtam milhões do dinheiro público. Não querem criar penas fortes contra a corrupção para não correrem o risco de mais tarde eles próprios serem penalizados.

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