Em 20/06/2021

 

Do fuzil estatal à desigualdade escolar: só Cristo dá jeito a João

 



            Editorial - João é aquele tipo de sujeito a quem o destino deu mais do que ele merecia e, agora, no poder, desdenha do próprio ventre político e podre onde foi gestado pelo sêmen ricardista. Relega a própria mãe, aliás o pai. Um Brutus que nasceu para um governo, mas seu governo ainda não nasceu. Não tem gestão nem ideologia em que se firme. Seu ideário é querer aparentar-se distante e distinto de Bolsonaro e, por isso mesmo, torna-se igual ou até pior do que o presidente, porque falta a João ao menos a sinceridade que sobra em Jair. João age qual felino: dá o bote e esconde a unha.

       João critica Bolsonaro por estimular a violência policial, mas um fuzil do seu governo matou um jovem inocente em Boa Ventura e o governador fez pouco caso disso. No dia do óbito, João fez o que tem sido hábito: gastou suas horas e redes fazendo mimos a uma moça chamada Juliette, querendo ganhar algum trocado eleitoral em cima da fama da paraibana. Famosa e milionária, ela tem quase a mesma idade de Etim, mas um destino bem diferente do dele.

          Ao fazer vistas grosas para o crime de morte praticado pelo Estado, João não somente menospreza a vida da vítima do seu próprio governo, mas mantém um expediente perigoso com a sua omissão: o baixo clero da segurança oficial tem tido por aí que se tratou de uma ação-padrão, ou seja, repetindo-se, terá o mesmo desfecho. O caso Etim não é exceção, enquanto a regra e a régua é João medir-se pelo mesmo descaso.  

          João costuma lamentar as 500 mil mortes no Brasil para culpar diretamente Bolsonaro, mas esquece de contar os 8 mil paraibanos que morreram sob sua gestão na pandemia, muitos dos quais por falta de um hospital ou de um hospital minimamente qualificado, porque João agiu tarde e ruim nas contratações e estruturações hospitalares e nem investiu em medidas preventivas mais eficientes: milhares transmitiram e transmitem a doença sem saber que a tinham e que a têm por falta de testagem permanente e qualificada: testagem em massa é o que também e principalmente recomenda a ciência, mas João não faz nem fez. 

          O João que critica Bolsonaro por desprezo à educação é o mesmo João que  usa decretos para produzir a maior desigualdade escolar da história paraibana, ao abrir as escolas particulares e deixar as públicas fechadas sem nenhuma justificativa sanitária e ferindo o princípio constitucional da equidade, um verdadeiro Aparthaid escolar: rico estuda presencialmente; pobre, não. Nem presencial nem à distancia, porque o ensino remoto público é um grande fracasso. 

       Se não pode abrir a pública, porque abrir a privada? Que excrescência! Agrada aos mais ricos e poderosos, cujos filhos têm aulas presenciais, e deixa os pobres e mais pobres sem escola e passando fome, porque nem alimentação escolar distribui com regularidade e suficiência. Faz isso porque sabe que educação de pobre não tem voz nem defensores de verdade. Seus netos, assim como os filhos e netos dos mais e menos poderosos, dos mais e menos ricos, estão nas escolas particulares com aulas, comida e futuro. Nem as crianças portadoras de necessidades especiais João poupou de sua maldade decretadada. Se for "especial" da escola particular pode ter aula presencial; se for "especial" da escola pública não pode. 

           João critica Bolsonaro por alimentar com dinheiro público redes de notícias falsas, mas foi o João que, no primeiro ano de pandemia, quando repetiu tantas vezes “fiquem em casa”, gastou duas vezes mais, 53 milhões de reais, com propaganda do que com moradia. Comprou quase toda a imprensa do estado com dinheiro oficial para somente dizer que ele é um santo. Viva São João! Só Jesus na causa.

 

 


 

 

 
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